A Holanda esteve na vanguarda da arquitetura e do urbanismo modernos de início do século 20 em diversas vertentes. Seus objetivos de política pública já eram incomuns na virada do século, e o caráter progressista de suas propostas só se acentuou pelas décadas seguintes, incluindo a priorização de questões sociais, a construção de habitação social em escala, industrialização da construção, o planejamento de longo prazo e a gestão territorial local. Continuar lendo A cidade experimental holandesa
Categoria: urbanismo
A cidade austríaca dos Hoffs
A experiência alemã de Ernst May em Frankfurt foi acompanhada, quase que concomitantemente, por similares na Áustria, com seus chamados hoffs. Este era o nome atribuído aos conjuntos habitacionais do Estado social-democrata austríaco da década de 1920, construídos inclusive nas áreas de expansão de Viena (sim, inclui o ring criticado por Camillo Sitte).

Cada hoff era dimensionado com o objetivo de estabelecer uma unidade de vizinhança que permitisse a vida comunitária e justificasse o estabelecimento de equipamentos comunitários básicos. Continuar lendo A cidade austríaca dos Hoffs
O que faltou perguntar sobre a Tabela de Honorários do CAU
O CAU/BR divulgou anteontem (22/08/2022) os resultados da pesquisa realizada entre profissionais sobre a Tabela de Honorários. Diversas evidências apontam para um desalinhamento entre a realidade de mercado e as recomendações de precificação do projeto de arquitetura do CAU, portanto a pesquisa é mais que bem-vinda e justificada.
Algumas dessas evidências eu tive inclusive a oportunidade de apresentar com a publicação de artigo científico sobre o assunto em parceria com professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Entretanto, alguns aspectos da pesquisa são preocupantes quanto aos encaminhamentos que provavelmente gerarão. Apresentarei aqui apenas dois deles.
Continuar lendo O que faltou perguntar sobre a Tabela de Honorários do CAUA cidade radiosa de Le Corbusier
O papel de Le Corbusier para o Movimento Moderno é tão importante que fica difícil imaginar outro igualmente influente para citar como referência. Sua atuação pessoal era quase como a de um profeta convicto divulgando ideias radicais e polêmicas a todos os ventos, acompanhado de uma produção técnica concreta e uma militância esforçada em arregimentar o máximo possível de pessoas que encontrava pelo caminho.
Também é seguro considerar Le Corbusier como uma das principais influências no desenho urbano internacional de 1940 até 1970. A partir da década de setenta, passou a ser criticado pelas deficiências das cidades europeias de então, mas a grandeza de sua obra foi (merecidamente) reconhecida alguns anos mais tarde. Continuar lendo A cidade radiosa de Le Corbusier
A cidade dos CIAM
Alguns eventos do final da década de 1920 demonstraram que havia uma vontade convergente, em diversos países do mundo e entre arquitetos trabalhando isoladamente, àquilo que viríamos a conhecer como Movimento Moderno.
Evidenciadas as semelhanças nos trabalhos de muitos arquitetos modernistas de diversos países, surge então a ideia de se criar uma associação internacional que agremiasse esses profissionais. A iniciativa se concretiza em 1928, num encontro realizado no castelo de La Serraz. Esse encontro ficou marcado como a primeira reunião internacional de arquitetos modernos.

Era apenas o início de uma longa série de eventos que mais tarde viriam a ser conhecidos como Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM). Foram realizados onze congressos ao longo de mais de trinta anos – o último foi realizado em Waterloo em 1959. Todos eles deixaram importantes registros à história do urbanismo, de uma forma ou de outra. Continuar lendo A cidade dos CIAM
