Uma empresa (quase) falida

O relato a seguir se passa nos Estados Unidos, em 1931. Mais detalhes podem ser obtidos no livro de Richard Tedlow New and Improved: The Story of Mass Marketing in America, New York, Basic Books, 1990.

Havia, naquela época, um comportamento inegável da Coca-Cola em comprar concorrentes que poderiam ser ameaças potenciais. Uma determinada vez apareceu uma empresa à venda, em situação desesperada. Já havia pedido falência pela segunda vez em doze anos, e um tribunal chegou a dizer que aquilo era só o resto de uma corporação. A Coca-Cola obviamente recusou, pois não era uma ameaça e não havia interesse em comprar uma empresa praticamente falida. Continuar lendo Uma empresa (quase) falida

Empresas latino-americanas – Paulo Feldmann

Responda rápido: quais montadoras de automóveis estão no Chile? Quais são as maiores cidades do Uruguai? Qual o produto mais representativo do PIB da Colômbia? Difícil, certo? A verdade é que conhecemos pouco de nossos vizinhos. Talvez seja mais fácil responder quais montadoras estão em Portugal, as maiores cidades do Japão e os produtos mais representativos do PIB italiano.

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Qual a diferença entre IPCA, IPC, IGP-M, ICV, INCC…

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo: do IBGE (organismo do governo federal), foi criado para a correção de demonstrativos financeiros de companhias abertas (não se faz mais, esse tipo de correção foi extinto em 1996). A coleta é contínua e sistemática de variações de preços ao consumidor de famílias com renda até 40 salários mínimos. Os dados são coletados nas Regiões Metropolitanas de Belém, Recife, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, e Brasília. São também coletados dados no município de Goiânia. Os dados são coletados entre o primeiro e o último dia do mês de referência, e a variação é divulgada entre os dias 8 e 12 do mês seguinte.

IPC – Índice de Preços ao Consumidor: da FIPE (uma fundação ligada à USP – Universidade de São Paulo), é medido na cidade de São Paulo com base num consumidor com renda entre um e vinte salários mínimos. A cesta é baseada na POF – Pesquisa de Orçamento Familiar, do IBGE, em constante atualização. A pesquisa é feita entre o primeiro e o último dia do mês de referência, e divulgada entre os dias 10 e 20 do mês seguinte. É o mais tradicional indicador do custo de vida das famílias paulistanas e um dos mais antigos do Brasil, começou a pesquisar em janeiro de 1939.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado: da Fundação Getúlio Vargas (entidade privada), foi criado para a correção de alguns títulos do Tesouro Nacional e para depósitos bancários pós-fixados com prazos acima de um ano. Depois, passou a ser utilizado para correções de contratos como aluguel e energia elétrica. É divulgado ainda no final do mês de referência porque a coleta é feita entre os dias 21 do mês anterior e o dia 20 do mês a que se refere. É composto por IPA – Índice de Preços por Atacado (60%), IPC – Índice de Preços ao Consumidor (30%) e o INCC – Índice Nacional de Custo de Construção (10%). A cada 10 dias é divulgada uma prévia parcial da variação mensal.

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O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?

A pesquisa Origem e Destino 2007, do Metrô de São Paulo, mostra um problema que os paulistanos, em especial os urbanistas e engenheiros de tráfego conhecem bem: a extrema concentração dos empregos. Não é necessário muito esforço para perceber, pelos gráficos apresentados, que a população se desloca (e muito) todos os dias para chegar ao trabalho pela manhã e voltar para casa no fim do dia. E o pior é que esta concentração da atividade econômica gera concentração de outras atividades, pois universidades, clínicas, bares e restaurantes, entre tantos outros usos comerciais e de serviços procuram ficar próximos de onde as pessoas estão.

Concentração de domicílios - OD 2007 Metrô

Localização de empregos - OD 2007 Metrô

O resultado do fenômeno é a valorização de algumas poucas áreas da cidade em detrimento da estagnação de valores de muitas outras. Algumas tentativas são feitas no sentido de desconcentrar empregos, principalmente os especializados e de alta renda (são os que atraem o resto da cadeia produtiva para perto). Uma modalidade destas tentativas são as operações urbanas, que sempre miram a recuperação ou transformação de um trecho do território. Mas será que uma urbanização funcional e agradável e a oferta de imóveis adequados são suficientes para atrair empregos de qualidade de forma sustentada?

Talvez a melhor resposta para esta questão tenha sido encomendada por Ronald Reagan quando assumiu a presidência dos EUA pela primeira vez, no início dos anos 1980. Continuar lendo O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?

Projetos de cidades são de longo prazo

Cidades são planejadas e executadas em prazos longos. O normal é realizar projetos urbanos em pelo menos um ano de maturação (e isso para um projeto pequeno). Portanto, qualquer projeto um pouco mais relevante, que realmente seja sentido por uma parcela notável da população, como o redesenho de um trecho urbano, levará vários anos desde sua concepção inicial até seus efeitos serem sentidos pela população, passando pela ineficiência, burocracia e inchaço do governo brasileiro, pela estruturação de um “apadrinhamento” político interno do executivo, o convencimento (e articulação política) do legislativo, o aval do chefe do executivo e, finalmente, a destinação de verbas para sua real concretização.

Ou seja, os prazos de realização de efetivos benefícios, no caso das cidades, não correspondem aos prazos dos interesses políticos de nossos governantes. Não se realiza quase nada em quatro anos, e muito pouco em oito. E, não, a solução não é ampliar  os mandatos deles. A solução passa pela Continuar lendo Projetos de cidades são de longo prazo