Da diversidade dos escritórios de arquitetura [e]

Hoje continuamos a falar de planejamento e gestão de escritórios de arquitetura e urbanismo. Como já começamos a comentar aqui, essa série de textos é decorrente de uma pesquisa que realizamos entre 2018 e 2020 no âmbito do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-USP. Durante a pesquisa, entrevistamos em profundidade 7 arquitetos titulares, e levantamos dados de outros mais de 400 escritórios com confirmação de informações. Além disso, levantamos um banco de dados bruto (sem dados confirmados) de mais de 550 escritórios de arquitetura e urbanismo.

O que nos mais importa destacar nesse momento inicial de debates é a forma como os titulares enxergam seus próprios escritórios, e isso decorre, em muito, de uma cultura geral de multiplicidade de possibilidades de atuação profissional advinda de nossas raízes, desde a idealização da profissão no mundo ocidental, passando pelos discursos predominantes, formação acadêmica, imprensa especializada e órgãos de classe. Continuar lendo Da diversidade dos escritórios de arquitetura [e]

Plataforma educacional com vídeos gratuitos

Olá!

Atendendo a pedidos de alguns leitores, nossa Plataforma Educacional voltou a disponibilizar também os vídeos gratuitos de nosso canal no YouTube. Agora você volta a poder escolher onde prefere assistir aos vídeos.

Lembrando que pela nossa plataforma a exibição do vídeo não é interrompida por intervalos comerciais, mesmo para quem nunca adquiriu nenhum de nossos cursos pagos. Continuar lendo Plataforma educacional com vídeos gratuitos

Vitalidade e segurança nas cidades: os geradores de diversidade de Jane Jacobs

“Talvez a obra mais influente da história do urbanismo.” Foi assim que a crítica literária do New York Times classificou o mais famoso livro de Jane Jacobs (Morte e vida de grandes cidades) – e é muito provável que esteja correta.

A obra, publicada em 1961 por uma jornalista e política norte-americana em ataque ao urbanismo operacional modernista (que ela chamava de “urbanismo ortodoxo”), redesenhou os preceitos do planejamento urbano daquele ponto em diante. Seus ensinamentos continuam válidos (e muito) a qualquer pessoa que se disponha a dedicar tempo, vida e energia a pensar o mais complexo sistema já construído pela humanidade: a cidade. Prova disso é sua onipresença nos cursos de urbanismo por todo o planeta e as infinitas republicações (tenho em mãos neste momento uma tiragem de 2019).

A mais recente versão em português para o Brasil, da Martins Fontes, tem 510 páginas. Seria de extrema arrogância (e imprudência) tentar sintetizar uma obra seminal tão icônica num mero artigo de blog como este. Assim sendo, se você se interessa (acredito) pela qualidade de vida nas cidades, não há como escapar. É leitura obrigatória. Continuar lendo Vitalidade e segurança nas cidades: os geradores de diversidade de Jane Jacobs

Diferença entre luminância e iluminância

Segundo Tregenza et al. (2015, p.7, Bookman), os dois conceitos são definidos da seguinte forma:

Iluminância é a quantidade de luz que incide sobre uma área unitária de superfície.

Luminância é o brilho de uma fonte medida com um fotômetro. Fonte é qualquer coisa que emite luz. O que nós, de fato, percebemos, depende do estado de adaptação do olho e de outros fatores. Também é chamada de “luminosidade aparente”. Continuar lendo Diferença entre luminância e iluminância

A emblemática PPP educacional do Uruguai

Se você está se perguntando porque uma PPP de educação no Uruguai seria emblemática, provavelmente está fazendo uma questão muito pertinente. Nosso vizinho é, sem qualquer dúvida, o Estado de bem-estar social (welfare state) mais bem-sucedido da América do Sul, e não é de hoje. Há muitas décadas que os uruguaios conheceram soluções (de fato) democratizantes no que diz respeito a direitos e benefícios sociais básicos. A habitação teve um gigantesco salto de qualidade (e quantidade) com uma construção de parcerias entre Governo e entidades setoriais de trabalhadores. Educação é de amplo acesso a todos, a ponto dos uruguaios desconhecerem a nossa realidade de vestibulares para educação superior. A Universidade da República oferece um número de vagas condizente com a demanda. Tanto que em vários cursos concorridos (Direito, por exemplo), sobram vagas para o atendimento à demanda interna, e eles recebem estudantes estrangeiros, entre os quais se incluem brasileiros.

Então por que um país como o Uruguai está fazendo uma PPP de educação? Continuar lendo A emblemática PPP educacional do Uruguai