Arquitetura popular brasileira – indicação de livro

Arquitetura popular brasileira. Livro. Günther Weimer

Este é, sem dúvida alguma, o livro mais interessante que já li sobre o tema, a começar pelo título. Günther Weimer constrói uma argumentação contra a tradicional arquitetura vernacular. E logo as primeiras páginas já valem o livro, trazem um interessante estudo sobre nossas influências culturais a partir das raízes mais antigas de nossa formação étnica, começando pela migração de povos asiáticos para a América do Norte e de lá descendo até nossas terras para formar nossos primeiros povoamentos indígenas, milhares de anos atrás.

Daí em diante, é impossível largar essa obra: aborda as origens do que chamamos de influência européia, a identificação da diversa e rica contribuição africana e as demais correntes imigratórias que recebemos mais fortemente nos últimos 150 anos. Weimer também identifica de forma precisa manifestações construtivas desprezadas pelo poder dominante, incluindo equívocos de se associar adaptações locais de técnicas ancestrais milenares de alhures em nossas terras, tais como as palafitas e a busca pelo contato com a água. Continuar lendo Arquitetura popular brasileira – indicação de livro

PEX: sistemas hidráulicos inteligentes

Os sistemas construtivos tradicionais são ainda aplicados em grande parte das obras no Brasil, apesar de sua dificuldade de manutenção, necessidade de quebrar revestimentos quando há algum problema, dos desperdícios de materiais e retrabalho, entre inúmeras outras desvantagens conhecidas há muito tempo. Quando se trata de sistemas hidráulicos, sanitários, drenagem e tubulação de gás, essas características se aguçam ainda mais.

Existe pelo menos uma alternativa viável, a custo acessível e fácil de encontrar. É um fantástico substituto aos sistemas hidráulicos tradicionais: o PEX (polietileno reticulado).

Suas características técnicas de elevada qualidade e resistência, facilidade de instalação e a possibilidade de substituir com tranquilidade o PVC, CPVC e o cobre tem levado esse sistema a ganhar mercado no país. O PEX consegue fazer curvas suaves, reduzindo a necessidade de conexões e, por consequência, o risco de vazamentos nessas emendas. Além disso, facilita a instalação em pontos de difícil acesso. Continuar lendo PEX: sistemas hidráulicos inteligentes

Uso da Inteligência Artificial na arquitetura e engenharia [GA]

A capacidade transformadora da Inteligência Artificial (IA) no campo da Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação (AECO) decorre de intensas evoluções recentes em dois vetores: a evolução de hardware e o desenvolvimento de novas arquiteturas e capacidades de IA. A Nvidia, por exemplo, acaba de lançar o Blackwell, uma nova Unidade de Processamento Gráfico (GPU) que quintuplica o desempenho na realização de tarefas de IA em relação ao seu próprio modelo anterior (Hopper), reduzindo o consumo de energia.

Nvidia Blackwell

Entre outras características técnicas surpreendentes, esse lançamento corrobora a “Lei de Huang”, a qual afirma que a capacidade de GPU para treinar novas ferramentas de IA triplica a cada dois anos. Isso permite o desenvolvimento de sistemas de sofisticação continuamente crescente. Continuar lendo Uso da Inteligência Artificial na arquitetura e engenharia [GA]

BIM é obrigatório em licitações públicas?

A questão leva a uma análise um pouco mais complexa e fundamentada, mas a resposta mais objetiva próxima à orientação correta é “sim“. Vejamos os motivos na Lei de Licitações e Contratos Administrativos em vigor (14.133), que em seu artigo 19 coloca como dever dos órgãos da administração:

V – promover a adoção gradativa de tecnologias e processos integrados que permitam a criação, a utilização e a atualização de modelos digitais de obras e serviços de engenharia.

A previsão acima descreve indubitavelmente funcionalidades do BIM. E o termo “adoção gradativa” significa que a cada passo que se avança nessa direção, o retrocesso não é permitido. Portanto, se a administração já fez algum tipo de contratação em BIM, as contratações seguintes devem elevar seu grau de previsões e exigências de modelos digitais preparados para a utilização e atualização, ou seja, inteligentes e atrelados a bancos de dados – o que só ocorre de fato em modelos BIM.

Caso alguém ainda tenha qualquer dúvida a esse respeito, o mesmo artigo ainda apresenta uma complementação mais objetiva e contundente sobre o tema: Continuar lendo BIM é obrigatório em licitações públicas?

Como o risco fiscal afeta a construção civil

Estamos vivendo tempos de fortes solavancos na economia, com disparadas do dólar e fortes quedas na bolsa. Entre as causas domésticas para isso, certamente o risco fiscal é o mais relevante. Já faz alguns anos que o Brasil não consegue equilibrar bem essas contas, e os investidores passam do receio à desconfiança de que, em algum momento, o governo pode não conseguir honrar com seus compromissos financeiros. A incerteza faz com que investimentos domésticos sejam reduzidos, parte dos recursos vai para o exterior. Resultado, o real se desvaloriza, a inflação aumenta. E a insegurança faz com que o custo de capital se eleve, ou seja, os juros sobem. E fica mais difícil ainda ao Tesouro Nacional cumprir com suas obrigações, principalmente com relação à dívida interna e remuneração de títulos públicos. Pronto, está criado o círculo vicioso.

Mercado Imobiliário

E como isso afeta a construção civil? De diversas formas, e o impacto não é pequeno. Além dos impactos gerais que os manuais internacionais de economia apresentam, ainda há de se considerar as especificidades nacionais. A principal delas, o funding para o crédito imobiliário. O Brasil financia suas operações imobiliárias a partir de diversas fontes de recursos, das quais se destacam duas muito relevantes: o Fundo de Garantia do Trabalhador (FGTS) e as cadernetas de poupança (SBPE). Vejamos como o atual cenário de incerteza fiscal pode afetar cada um deles: Continuar lendo Como o risco fiscal afeta a construção civil