O que é “helicopter money”?

Helicopter money é uma proposta heterodoxa de política monetária que consiste na distribuição direta de moeda à população sem qualquer contrapartida – daí a ideia extrema de jogar dinheiro de helicóptero, que deu origem ao nome. Foi algumas vezes sugerida como alternativa ao “quantitative easing”, título dado ao controle quantitativo de moeda via negociação de títulos públicos em mercado aberto.

O “quantitative easing” deixa de funcionar adequadamente quando a economia está na chamada “armadilha de liquidez” (liquidity trap), situação em que as taxas de juros estão próximas a zero e a economia continua em recessão. Pode parecer uma aberração aos olhos da política monetária ortodoxa, mas caracteriza uma situação cada vez mais recorrente, cujo crescimento nas frequências de ocorrências só foi interrompido pelos choques econômicos que vivemos atualmente em decorrência da pandemia de covid-19.

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Curso empregabilidade e empreendedorismo para arquitetos disponibilizado gratuitamente [GA]

Olá, pessoal!

Conforme eu comentei por aqui algum tempo atrás (veja aqui), a plataforma Teachable passou recentemente a impedir a publicação de mais de um curso. Com isso, muita gente ficou sem acesso aos cursos de nossa Escola Digital. Para não prejudicar a vocês, estou aqui disponibilizando gratuitamente alguns dos cursos bloqueados.

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A falácia dos custos do escritório de arquitetura [GA]

A gestão dos escritórios de arquitetura tem se baseado em alguns elementos pouco consistentes, e alguns mitos parecem estar se estabelecendo sem questionamento. Um deles é o da natureza dos custos e das despesas do escritório: diversos manuais (inclusive a Tabela de Honorários do CAU) consolidaram o entendimento dos custos – inclusive as horas consumidas no desenvolvimento dos projetos – eminentemente variáveis, nunca fixos. Mas esse entendimento é incorreto para a diversos escritórios, e parece que poucos gestores se deram conta disso na formação de preços e novas propostas comerciais. Continuar lendo A falácia dos custos do escritório de arquitetura [GA]

O mercado de capitais e os imóveis para aluguel

Aluguel, propriedade e subúrbio

Uma característica da habitação no Brasil que sempre me intrigou é a dificuldade  de se consolidar um mercado imobiliário consistente para o aluguel. A despeito das políticas públicas da casa própria, as quais remontam ao Estado Novo de Getúlio Vargas e tomaram por completo o referencial nacional de habitação de interesse social, é no mínimo curioso que esse mesmo modelo se mantenha num ambiente perfeito para a locação, principalmente quanto às seguintes variáveis:

  • Custo de oportunidade do capital elevado: com uma das maiores taxas de juros do planeta, a família brasileira teoricamente estaria menos propensa a imobilizar seu capital num imóvel quando pode alocar esse recurso em ativos ainda mais seguros que a solidez dos tijolos, principalmente após o acesso pulverizado ao Tesouro Direto;
  • Dinâmicas urbanas de pouco controle público: diversos eventos razoavelmente frequentes em nossos espaços urbanos destroem valor imobiliário da noite para o dia, tais como o anúncios de obras públicas elevadas, como as vias e trilhos elevados, o anúncio de obras de grande porte e geradoras de tráfego, redesenhos de vias públicas que despejam tráfego intenso em ruas tranquilas, invasões de áreas públicas, desrespeito às leis e normas de tranquilidade urbana, entre muitas outras. O investidor racional certamente ponderaria esses elementos no risco desses ativos (o que explica o que eu disse acima sobre títulos poderem ter menor risco que imóveis sólidos).

Entretanto, a ideologia da casa própria segue firme, obrigado. É necessário aqui ponderar também o outro lado dessa equação: Continuar lendo O mercado de capitais e os imóveis para aluguel