O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?

A pesquisa Origem e Destino 2007, do Metrô de São Paulo, mostra um problema que os paulistanos, em especial os urbanistas e engenheiros de tráfego conhecem bem: a extrema concentração dos empregos. Não é necessário muito esforço para perceber, pelos gráficos apresentados, que a população se desloca (e muito) todos os dias para chegar ao trabalho pela manhã e voltar para casa no fim do dia. E o pior é que esta concentração da atividade econômica gera concentração de outras atividades, pois universidades, clínicas, bares e restaurantes, entre tantos outros usos comerciais e de serviços procuram ficar próximos de onde as pessoas estão.

Concentração de domicílios - OD 2007 Metrô

Localização de empregos - OD 2007 Metrô

O resultado do fenômeno é a valorização de algumas poucas áreas da cidade em detrimento da estagnação de valores de muitas outras. Algumas tentativas são feitas no sentido de desconcentrar empregos, principalmente os especializados e de alta renda (são os que atraem o resto da cadeia produtiva para perto). Uma modalidade destas tentativas são as operações urbanas, que sempre miram a recuperação ou transformação de um trecho do território. Mas será que uma urbanização funcional e agradável e a oferta de imóveis adequados são suficientes para atrair empregos de qualidade de forma sustentada?

Talvez a melhor resposta para esta questão tenha sido encomendada por Ronald Reagan quando assumiu a presidência dos EUA pela primeira vez, no início dos anos 1980. Continuar lendo O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?

Projetos de cidades são de longo prazo

Cidades são planejadas e executadas em prazos longos. O normal é realizar projetos urbanos em pelo menos um ano de maturação (e isso para um projeto pequeno). Portanto, qualquer projeto um pouco mais relevante, que realmente seja sentido por uma parcela notável da população, como o redesenho de um trecho urbano, levará vários anos desde sua concepção inicial até seus efeitos serem sentidos pela população, passando pela ineficiência, burocracia e inchaço do governo brasileiro, pela estruturação de um “apadrinhamento” político interno do executivo, o convencimento (e articulação política) do legislativo, o aval do chefe do executivo e, finalmente, a destinação de verbas para sua real concretização.

Ou seja, os prazos de realização de efetivos benefícios, no caso das cidades, não correspondem aos prazos dos interesses políticos de nossos governantes. Não se realiza quase nada em quatro anos, e muito pouco em oito. E, não, a solução não é ampliar  os mandatos deles. A solução passa pela Continuar lendo Projetos de cidades são de longo prazo

Montevideo para arquitetos

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Montevideo é uma cidade fantástica, especialmente para arquitetos. A escala urbana reduzida, edifícios do colonial ao contemporâneo, com grande presença do Art Déco (em geral bem preservados), o urbanismo hispânico para a América, a topografia suave de colinas e sua história singular fazem desta cidade um lugar extremamente interessante, a minha preferida na América do Sul.

Jardín Japonês - Montevideo

Primeiro olhar

O Uruguai impressiona logo na chegada, e deixa com inveja qualquer brasileiro com seu aeroporto moderno e adequado a uma capital nacional (e reforça o atraso de nossa própria infraestrutura…). O aeroporto de Carrasco, localidade próxima a Montevideo (faço questão de escrever o nome da cidade na forma nativa, até porque também não quero que escrevam a minha como “San Pablo”).

Carrasco_aerop

Quem chega a Montevideo vê a cidade Continuar lendo Montevideo para arquitetos

Quantas Operações Urbanas cabem em São Paulo?

Parece que a prefeitura de São Paulo não entendeu muito bem o objetivo de uma Operação Urbana. Há tantas sendo previstas no município que uma grande parte do território do centro expandido estará dentro de operações urbanas! O conceito de foco num território para recuperá-lo promovendo desenvolvimento social, ambiental e econômico não funciona desse jeito. Aparentemente a prefeitura está entendendo este instrumento como uma ferramenta arrecadatória, mais uma vez sem transparência tributária para o consumidor final. Operação Urbana não é um instrumento para tributar o desenvolvedor imobiliário, é muito mais do que isso. Veja outro post deste blog que explica isso. É uma excelente oportunidade do poder público se beneficiar da mais-valia produzida pela valorização imobiliária especulativa.

Operações Urbanas em SP

Um ótimo exemplo de operação urbana é a recuperação de Continuar lendo Quantas Operações Urbanas cabem em São Paulo?

Prometeu desacorrentado (Landes) x Chutando a escada (Chang)

Trabalho apresentado à FEA-USP, durante a disciplina EAE111 – Introdução à economia II para não-economistas

Prometeu desacorrentado, David Landes, Ed. Campus x Chutando a escada, Ha-Joon Chang. Ed. Unesp.

A diferença entre os textos, além do formal, é também uma amostra do confronto entre um pensamento ocidental e um oriental. Logo de início, Landes exalta a Continuar lendo Prometeu desacorrentado (Landes) x Chutando a escada (Chang)