Vale a pena investir em ações?

O povo brasileiro ainda tem muito receio de investir em ações por desconhecer a real magnitude e natureza de seus riscos. Muitas vezes deixa de fazer esse tipo de investimento mesmo quando seria adequado a seu perfil, ou seja, aquele que aceita algum risco e não se assusta com a renda variável. Investir em ações significa investir em empresas brasileiras, ou seja, apostar no empreendedorismo e na competência de nossa nação. Ao comprar ações, o investidor ajuda a fortalecer o mercado de capitais nacional, além de transformar estes recursos em geradores de retornos diretos ao acionista, e indiretamente à sociedade na forma de empregos, atividade econômica e valor adicionado (medida que compõe o PIB nacional).

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Estudos sobre o retorno deste tipo de investimento não faltam, e quase todos demonstram um retorno muito interessante ao investidor no longo prazo, desde que não seja concentrado em apenas uma empresa ou em um portfolio de ativos altamente correlacionados entre si. Vamos separar esta análise em duas partes: risco e retorno. Continuar lendo Vale a pena investir em ações?

Antecedentes ao Plano Real

A beleza da história da economia é sua continuidade coesa de eventos fortemente relacionados entre si. O Plano Real (assim como qualquer outro evento econômico) só faz sentido para quem estuda o cenário anterior – quanto maior o tempo de retrospecto, melhor.

Serei sucinto e resumirei os eventos anteriores ao máximo. Existem basicamente três tipos de inflação:

  • inflação de demanda (excesso de consumo frente à restrição de oferta, basicamente)
  • inflação de custos (quando os fatores de produção encarecem por algum motivo, como alta do dólar ou aumento de salários em um setor da economia, por exemplo)
  • inflação inercial (quando o preço de um item aumenta porque há expectativa de que todos os preços demais também aumentem)

Quando o Plano Real foi idealizado (ainda sem esse nome), tínhamos os três tipos juntos. Chegamos a este ponto através de uma série de eventos que se iniciam nos anos 1970, mais exatamente no II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), que corresponde ao período 1974 – 1979. Continuar lendo Antecedentes ao Plano Real

O que é Tesouro Direto?

O governo federal brasileiro emite algumas modalidades de títulos negociáveis e os vende no mercado aberto (open market) com dois principais objetivos: fazer o controle monetário e como fonte de financiamento. O controle monetário é feito com o controle do volume de títulos que são vendidos ou comprados, operações que retiram ou colocam, respectivamente, moeda no mercado. O detentor do título receberá sua remuneração em datas pré-estabelecidas ou em seu vencimento, o que estimula sua retenção por certo tempo e dá ao governo a possibilidade de obter estes recursos sem ter que recorrer a opções mais caras ou estrangeiras.

Pessoas físicas ou jurídicas podem investir diretamente nestes títulos do tesouro nacional, sem necessidade do intermédio de bancos e fundos de investimentos – por isso são chamados de Tesouro Direto. A única coisa que o investidor precisa fazer é abrir conta numa corretora, e várias delas não cobram taxas para este tipo de operação. É um investimento feito pela Internet pelo próprio investidor, mais seguro que a poupança (garantido pelo Tesouro Nacional) e costuma ser também mais rentável. Podem ser vendidos antes da data de vencimento, e o Imposto de Renda é retido pela corretora. Continuar lendo O que é Tesouro Direto?

IPO do Facebook: bobagens ditas pela imprensa

A abertura de capital do Facebook ocorrida na semana passada me trouxe um espanto inesperado: a quantidade de bobagens ditas e escritas pela imprensa nacional. Nossos jornalistas demonstraram um inacreditável despreparo (quero acreditar nisso) ou uma grande vontade de manipular as informações (espero que não seja isso) quando lidaram com a tarefa de transmitir notícias básicas para o público não especializado no assunto.

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Uma empresa (quase) falida

O relato a seguir se passa nos Estados Unidos, em 1931. Mais detalhes podem ser obtidos no livro de Richard Tedlow New and Improved: The Story of Mass Marketing in America, New York, Basic Books, 1990.

Havia, naquela época, um comportamento inegável da Coca-Cola em comprar concorrentes que poderiam ser ameaças potenciais. Uma determinada vez apareceu uma empresa à venda, em situação desesperada. Já havia pedido falência pela segunda vez em doze anos, e um tribunal chegou a dizer que aquilo era só o resto de uma corporação. A Coca-Cola obviamente recusou, pois não era uma ameaça e não havia interesse em comprar uma empresa praticamente falida. Continuar lendo Uma empresa (quase) falida