Marketing de cidades: preocupação que um prefeito deveria ter

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

A palavra marketing costuma provocar reações alérgicas nas pessoas que lidam com urbanismo, em geral profissionais humanistas como arquitetos e urbanistas, sociólogos, geógrafos, historiadores (ainda há poquíssimos administradores públicos). Esses profissionais são educados longe de qualquer ensino formal sobre o marketing, e em geral possuem um sólido conhecimento histórico da luta de classes e dos movimentos de esquerda no mundo. O desconhecimento do que é marketing leva a adotar a definição do senso comum (que invariavelmente é manca), a uma visão muito limitada do marketing e associação à ideia de ferramenta comercial e de vendas.

Mas se o marketing for entendido (como deveria) conforme suas definições mais precisas, e devidamente compreendido no contexto atual de visão global de responsabilidade e sustentabilidade, pode surgir (e já está surgindo) um movimento no sentido de justificar a aplicação de ferramentas do marketing por causas historicamente avessas, como o poder público municipal. Não sei se isso realmente trará benefícios sociais (objetivo, em tese, do poder público), nem sei se a argumentação apresentada é realmente válida. Mas vai acontecer.

Marketing é uma palavra que nunca foi traduzida corretamente, por isso ficou assim em nossa língua antropofágica. As palavras terminadas em “ing” em inglês, possuem diversos sufixos em português. Quando foi traduzida por “mercadologia” ficou errado, por que marketing não só estudo ou conhecimento do mercado. O objetivo do marketing é otimizar as relações de troca, não necessariamente trocas comerciais. Por isso existe o marketing social e o marketing Continuar lendo Marketing de cidades: preocupação que um prefeito deveria ter

Movimento pelo teto de renda para pessoa física

por Ricardo Trevisan

Falar que nossa desigualdade de renda é elevada chega a ser um eufemismo. Segundo o segundo dados do último Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), entre 124 países para os quais há informações, o Brasil está na oitava pior colocação.

Desigualdade Social

Quer mais informações? A internet está cheia delas, mas o que não tenho visto são as propostas para solucionar o problema. Então eu lanço uma. O estabelecimento de um teto de rendimento mensal para pessoas físicas. O que passasse disso teria IR de 100% (sim, confisco mesmo). Este dinheiro poderia por exemplo servir para Continuar lendo Movimento pelo teto de renda para pessoa física

Automóvel: inimigo público das cidades

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

O Metrô de São Paulo poderia ter sido iniciado em 1927, se a proposta da São Paulo Light & Power tivesse sido aceita pela prefeitura naquela época. A Light estava trabalhando nesta proposta desde 1924, num esforço de tentar manter seu contrato com a prefeitura, numa época em que a escassez de energia elétrica favorecia os ônibus que começavam a substituir os bondes. O chamado Plano Integrado de Transportes, realizado pelo escritório do urbanista canadense Norman Wilson propunha uma rede de trens de alta velocidade (que hoje chamamos de Metrô) integrada com uma rede de bondes. Esse tipo de sistema existe hoje em cidades europeias e funciona muito bem.

Porém, a Light encontrou pela frente Prestes Maia, que além de estar disposto a dificultar as concessões a empresas estrangeiras, estava também interessado num Continuar lendo Automóvel: inimigo público das cidades

Dicas para projeto de iluminação (ou, por que bons restaurantes perdem clientes por serem escuros)

DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS NA FORMA DA LEI. CITE A FONTE.

por Ricardo Trevisan

Parece que os donos de restaurantes confundem iluminação agradável com falta de iluminação. Na tentativa de criar ambientes agradáveis, simplesmente reduzem a iluminação dos ambientes a tal ponto de ficar difícil saber o que estou realmente comendo (o que dizer então da cor do alimento…). E muitos restaurantes escolhem mal as lâmpadas e mesmo com iluminação fraca, convivem com a luz mais desagradável possível. Se o consumidor achar que o restaurante está tentando disfarçar ou esconder alguma coisa, certamente isso vai pesar muito na avaliação do estabelecimento.

O pior problema é que pouca gente sabe que existe um tipo de Continuar lendo Dicas para projeto de iluminação (ou, por que bons restaurantes perdem clientes por serem escuros)

Como funciona a poupança? De onde vem o rendimento?

Quando você deposita seu dinheiro num banco, eles não vão guardar esse dinheiro num cofre e esperar você voltar para buscá-lo. Pelo menos não todo ele. Na verdade, o que o banco faz é tomar um empréstimo com você, ou seja, você passa a ser credor do banco. É por isso que qualquer instituição financeira depende de sua imagem de solidez e segurança para sobreviver (e é por isso que seu gerente está sempre de terno e gravata).

Foto do jornal O Estado de S. Paulo

Uma parte do dinheiro que você deposita, o banco é obrigado a reservar. Outra parte, ele usa para ganhar dinheiro (o que você depositou ele não ganha, porque terá que devolver). E como o banco ganha dinheiro? Continuar lendo Como funciona a poupança? De onde vem o rendimento?