A cidade hipodâmica

Hoje começaremos aqui nossa série sobre Desenho Urbano, uma série de textos nos quais vou falar sobre cidades e suas origens em publicações curtas e objetivas.

Há inúmeras formas de iniciar essa narrativa, que pode variar cronológica e geograficamente. Adotarei, inicialmente, a linha narrativa europeia por ser a linha de influência cultural que recebemos com muita intensidade, para depois retornar a outras referências culturais e fazer esse contraponto (espero que crítico o suficiente, como deveria ser). As origens culturais europeias ocidentais exigem que façamos ao menos alguma menção à Grécia clássica. E, de fato, é de lá uma das referências seminais mais importantes à morfologia urbana ocidental: a cidade hipodâmica.

O traçado urbano regular e ortogonal costuma ser designado por “hipodâmico” em referência a Hipoddamus de Mileto (498 a.C. – 408 a.C.), considerado criador do planejamento urbano em quadrículas e responsável pelo projeto de diversas áreas de cidades gregas da época clássica. Na verdade, não existe nenhuma prova de que a quadrícula urbana tenha realmente sido criada por ele.

Um dos exemplos mais emblemáticos de sua obra, o porto de Pirineu (Atenas) foi desenvolvido em quadras de aproximadamente 2.400m2 para pequenos grupos de casas de dois pavimentos. O projeto pode ser considerado avançado para sua época: as fachadas estavam orientadas para sul (melhor insolação no hemisfério norte), e sua infraestrutura urbana de abastecimento e escoamento hidráulico foram dimensionadas a partir de equações polinomiais. Continuar lendo A cidade hipodâmica

Logradouros brasileiros e portugueses

O termo “logradouro” adquire sentidos distintos no Brasil e em Portugal. O logradouro brasileiro se refere a vias e espaços públicos, em geral usados como referencial de endereço: ruas, avenidas, rodovias, quadras, largos, travessas, etc. Continuar lendo Logradouros brasileiros e portugueses

Loteamentos fechados e condomínios horizontais nas concessões de iluminação pública

Uma situação que costuma gerar dúvidas e controvérsias na estruturação de projetos de concessões de iluminação pública é a de vias, loteamentos e condomínios horizontais com controle de acesso. Faria sentido incluir os pontos internos a essas áreas no contrato de parceria público-privada? A resposta a esta questão depende da correta caracterização dos logradouros em análise.

Existem três situações morfológicas de conjuntos horizontais de residências unifamiliares lato sensu denominadas “condomínios fechados”, mas nem todas se enquadram juridicamente como condomínios. As situações mais comuns são: Continuar lendo Loteamentos fechados e condomínios horizontais nas concessões de iluminação pública