A cidade de Camillo Sitte

A consolidação do urbanismo enquanto campo de conhecimento fomentou o surgimento de textos teóricos em quantidade muito superior ao que vinha sendo produzido até meados do século 19.

Um dos nomes mais proeminentes dessa virada foi, curiosamente, quem olhou para o passado com uma vertente referencial um tanto nostálgica: Camillo Sitte (Construção das cidades segundo seus princípios artísticos), admirador dos traçados e volumes construídos medievais, viu nas antigas cidades medievais algo que vinha se perdendo durante a urbanização periférica na zona das antigas muralhas de Viena (o ring): a riqueza de visuais, caminhos, narrativas e surpresas do olhar ao explorar o espaço urbano durante uma simples caminhada, tal qual o faria Gordon Cullen em forma de desenhos quase um século depois. Continuar lendo A cidade de Camillo Sitte

A cidade de Cerdá

Quase sempre, a grande transformação física de alguma cidade vem em resposta a uma motivação econômica. Da mesma forma que cidades estão fisicamente preservadas em decorrência de um súbito declínio econômico de suas principais funções capitalistas (como ocorreu com Parati/RJ, Goiás/GO, Ouro Preto/MG, etc.), o oposto também acontece: um forte crescimento econômico impulsiona fortes alterações estruturais urbanas. Foi o que aconteceu com a capital da Catalunha em meados do século 19.

O Plano Cerdá para Barcelona
O Plano Cerdá para Barcelona

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A cidade utópica

O século 19 concentrou os problemas da industrialização em áreas urbanas repentinamente inchadas e despreparadas para o adensamento. Em questão de poucas décadas, a realidade humana se tornou mais sórdida, e seria quase impossível ao europeu da época dissociar a perda de qualidade ambiental do rápido processo de urbanização.

Num processo natural de reação, surgiram novas propostas de reformas sociais e econômicas em novas formas de comunidades, tais como os falanstérios (Owen) e familistérios (Fourier), as quais sugeriam profundas transformações sócio-culturais, muito além de ajustes físicos das formas urbanas. Era um momento de completo redesenho da organização humana à nova realidade industrial, mecanizada e exponencialmente mais ágil. Continuar lendo A cidade utópica

A cidade oitocentista europeia

O período compreendido entre 1850 e 1900 foi caracterizado por diversas modalidades de complexidades e embates das mais diversas naturezas na sociedade europeia. A cidade clássica e barroca continuavam presentes, coexistindo com novas tipologias protomodernistas. A densidade demográfica sofria forte crescimento, enquanto a industrialização trazia diversas novas formas de conflitos. Continuar lendo A cidade oitocentista europeia

A cidade renascentista

A história da arquitetura costuma dividir o Renascimento em várias fases [1]:

  1. Primeiro Renascimento (1420 – 1500, na Itália)
  2. Renascimento tardio (1500 – 1600)
  3. Barroco (1600 – cerca de 1765)
  4. Rococó e Neoclássico (1750 – 1900, variando conforme a região)

Com a recuperação econômica e política europeia da Baixa Idade Média, também houve um resgate de referências culturais clássicas, evidentemente greco-romanas, associado ao desenvolvimento filosófico e científico ocidental. Também houve uma grande assimilação de conhecimentos adquiridos com outros povos, em especial os árabes e orientais.

O novo momento intelectual de retomada do racionalismo, em oposição ao misticismo medieval, provocou mudanças profundas na sociedade da época, o que se refletiu na pintura, escultura, arquitetura e urbanismo. A partir dos desenvolvimentos da perspectiva, sua expressão mais representativa surgiu em Florença e rapidamente se propagou pelo resto da Itália, um território onde o gótico medieval não era muito bem aceito por diversas razões culturais, em especial pelo vínculo com as referências romanas do passado. Em pouco tempo, a influência florentina já alcançava praticamente toda a Europa. Continuar lendo A cidade renascentista