Ociosidade e sobrevivência na empresa de prestação de serviços [GA]

escritório de arquitetura

Um dos maiores erros financeiros das empresas de prestação de serviços é a precificação pelos custos variáveis quando a realidade é de fixos (inclusive já publiquei aqui alguns textos sobre isso). O risco se concretiza quando os custos fixos de uma equipe permanente ou estrutura instalada se mantém por períodos sucessivos nos quais os gestores se agarram à esperança de que os contratos ativos serão suficientes para a cobertura do custeio fixo e talvez gerar resultados livres. O caso geral é a frustração dessas expectativas.

Neste texto, demonstrarei o problema pelo ângulo das contas da empresa, e exemplificarei com um caso hipotético para demonstrar o tamanho do problema. Imagine um escritório de engenharia ou de arquitetura, cujas equipes de desenvolvimento (times profissionais) são permanentes do escritório. Esse escritório tem custos + despesas (ao mês) no montante de R$ 100.000, e vende serviços observando uma margem arbitrária de 15% com objetivo de lucro. Continuar lendo Ociosidade e sobrevivência na empresa de prestação de serviços [GA]

Mercados profissionais: base de análise [GA]

Tecnologia

Garry Stevens bem identificou [1] que diversas bases de análise de mercados de profissões, assim como de empresas de atuação profissional, não contribuem em quase nada para a sobrevivência, muito menos para a perenidade desses empreendedores no mercado. Assim, abordagens baseadas no “senso comum” estão desaparecendo (por vezes, junto com seus seguidores), dando lugar a outras mais sofisticadas e mais aplicáveis a nossos ambientes de negócios contemporâneos. Tratarei nesse texto sobre uma dessas abordagens, um conjunto de ferramentas que Scott Lash considera ter grande poder de análise, portanto, muito útil para o posicionamento estratégico profissional.

Tais ferramentas são especialmente valiosas aos profissionais que lidam com a produção, reprodução e negociação de produtos culturais, caso de arquitetos, designers, autores e artistas em geral. Segundo Scott Lash, “a sociologia geral da cultura de [Pierre] Bourdieu não é apenas a melhor, é também a única que interessa”. Tal direcionamento objetivo cai como uma luva para a análise de mercados profissionais pela forte personificação da oferta ao mercado e da construção de marca, em especial na América Latina, onde a tradição empresarial em geral tem grande peso de identificação de pessoas no valor de marcas [2]. Continuar lendo Mercados profissionais: base de análise [GA]

(in)sustentabilidade da empresa prestadora de serviços

Muito se fala sobre sustentabilidade, mas pouco se explica sobre o quê. Termo este que hoje em dia se adere às políticas de responsabilidade ambiental, social e de governança (ASG) tem uma motivação muito mais primitiva no mundo dos negócios: o da busca pela perenidade da empresa. As motivações de Fayol para tirar gente da operação para isolar num escritório pensante não caíam muito longe dessa árvore.

Qualquer empresa que nasça sem uma intenção de perenidade consome recursos sociais custosos para atender a um objetivo relativamente curto para o mundo, justamente por estar limitado aos prazos de vidas humanas. Ou seja, abriga uma nada desprezível carga de egoísmo. Tais recursos sociais custosos são limitados, e o acesso a eles é particularmente concorrido em economias de alta desigualdade social. Continuar lendo (in)sustentabilidade da empresa prestadora de serviços

Avaliação econômica pelo método da renda: lançada a Segunda Edição

Avaliação econômica de empreendimentos pelo método da renda NBR 14.653-4 Segunda Edição

Esta Segunda Edição traz aperfeiçoamentos no livro mais vendido sobre este assunto no Brasil. Foram adicionados elementos atuais, o texto foi compatibilizando ao ambiente de negócios tecnológico e de maturidade profissional contemporâneo. Além disso, alguns pontos foram melhor detalhados, o método principal da avaliação econômica ficou mais objetivo, foram feitas melhorias de redação, e o livro foi compatibilizado com outros títulos mais recentes do autor. E o livro também se aproximou das aulas do autor em cursos de pós-graduação sobre o tema (vide cursos).

A atividade que melhor remunera os avaliadores de imóveis, e uma das melhores remunerações para arquitetos, urbanistas e engenheiros tem neste livro um guia completo e de fácil entendimento. O autor destrincha a complexidade da avaliação de empreendimentos de base imobiliária pelo método da capitalização da renda (avaliação econômica) de forma tranquila e numa linguagem acessível a avaliadores, gestores, investidores, estudantes, pesquisadores, profissionais do ramo imobiliário e demais interessados no assunto. Continuar lendo Avaliação econômica pelo método da renda: lançada a Segunda Edição

Construção civil na era da Inteligência Artificial

A primeira era digital da construção civil veio com a adoção dos sistemas CAD, logo que os computadores pessoais se popularizaram, no final da década de 1980. Depois veio da metodologia BIM, com seus novos processos e fluxos de trabalho na década de 2010. Agora, enquanto muitos profissionais e empresas ainda se adaptam a essas mudanças, a Inteligência Artificial (IA) inunda nosso cotidiano.

Essa tecnologia revoluciona o ciclo de vida da construção, traz novas capacidades computacionais em todos os aspectos do setor de arquitetura, engenharia, construção e operação dos ativos (AECO). Estamos adentrando uma nova era digital, e a inteligência artificial é muito mais que uma ferramenta, trata-se de uma força revolucionária que transforma nossa abordagem ao projetar e construir. Essa tecnologia provavelmente aumentará a eficiência, abrirá mais espaço à criatividade e a sustentabilidade, e marcará uma profunda e fundamental mudança dos métodos tradicionais para soluções inovadoras. Continuar lendo Construção civil na era da Inteligência Artificial