Diferença entre oferta pública primária e secundária

Quando uma empresa abre seu capital, ou seja, oferta ações em mercado aberto (bolsa de valores) pela primeira vez, faz isso por um processo de Oferta Pública Inicial (ou IPO, do mesmo termo em inglês).

Porém, essa oferta inicial pode ser feita de duas formas diferentes:

  • Oferta pública primária: quando os recursos obtidos com a venda de ações vão para o caixa da empresa. Ou seja, é uma modalidade em que a abertura do capital fortalece a própria empresa, permitindo, por exemplo, o investimento em novos ativos e projetos que tendem a gerar receitas futuras aos acionistas;
  • Oferta pública secundária: quando os recursos obtidos vão para os proprietários anteriores, fortalecendo o vendedor que quer se desfazer daquele empreendimento. É uma modalidade que tende a ser usada por controladores com intenção de liquidação da empresa, favorecendo, por exemplo, processos de fusões e aquisições por parte de outras empresas que queiram adquirir aqueles ativos, conhecimento, capital humano, marca, portfólio, carteira de clientes, etc. Nesta modalidade de IPO, os recursos da abertura do capital não vão para a empresa.

Continuar lendo Diferença entre oferta pública primária e secundária

PPP Habitacional no horizonte

A viabilização econômica de habitação social no Brasil (e no mundo) já conta com uma nova possibilidade, e muito promissora. Até pouco tempo atrás, todas as nossas políticas habitacionais de Estado foram baseadas na propriedade de imóvel subsidiado: desde os Institutos de Aposentadorias e Pensões do Estado Novo (1937-1964, 123.995 UH), passando pela discreta Fundação da Casa Popular – FCP (1946-1964, 18.132 UH), O Banco Nacional da Habitação (1964-1986), o Programa Minha Casa Minha Vida (desde 2009).

Porém nenhum desses programas chegou nem perto de resolver o problema habitacional no país. Aliás, não chegaram nem a amenizar o déficit habitacional. Mesmo o Minha Casa Minha Vida, que viabilizou 14,7 milhões de UH até 2017, não chegou nem a estabilizar, no saldo acumulado de todo o período, uma demanda que nunca para de crescer. Ou seja, há uma conclusão óbvia de que precisamos adicionar novas possibilidades de soluções a nossa carteira de opções.

E é o que está acontecendo: o Estado, sem capacidade econômico-financeira suficiente para fazer os investimentos necessários tem se aproximado cada vez mais de investidores privados – segmento este cada vez mais líquido e à procura de projetos estáveis, seguros e minimamente atrativos. Isso acontece cada vez mais porque as opções de aplicações financeiras estão cada vez mais restritas e com retornos decrescentes. É um fenômeno mundial que já chegou por aqui.

A forma de viabilizar essa aliança de interesses de forma vantajosa ao Estado (ou seja, que não represente um custo final maior que a opção de investimento Estatal direto ou pela tradicional contratação simples de obra) tem sido a parceria público-privada. E os exemplos já existem, concretizados. Continuar lendo PPP Habitacional no horizonte

Curso online de Avaliação Econômica de Empreendimentos pelo Método da Renda

Já está disponível o novo curso online de Avaliação Econômica de Imóveis pelo Método da Renda em nossa plataforma educacional. São, inicialmente, 33 vídeo-aulas que abrangem desde conceitos básicos para quem nunca teve contato com o assunto até exemplos práticos no Excel.

Este curso apresenta os fundamentos e ferramentas utilizadas para avaliar empreendimentos imobiliários pelo método da capitalização da renda (também chamado de Avaliação Econômica). São apresentadas as recomendações da ABNT NBR 14.653 Parte 4, e outros conceitos essenciais não cobertos pela norma técnica. Continuar lendo Curso online de Avaliação Econômica de Empreendimentos pelo Método da Renda

Da segmentação de clientes por escritórios de arquitetura [e]

Acho que já deu para perceber, pelos textos anteriores, que o discurso de que o arquiteto trabalha “com todos os tipos de projeto e para todos os públicos” é exatamente isso: um discurso – e que não encontra respaldo na realidade cotidiana dos escritórios.

Hoje trago aqui mais um elemento (e não será o último) a corroborar essa tese: a segmentação de mercado em seu sentido lato, ou seja, a segmentação de público-alvo. Por um lado, temos encontrado fortes indícios de que os escritórios de arquitetura delineiam muito pouco os segmentos de clientes com os quais querem trabalhar – e sofrem as consequências disso. Continuar lendo Da segmentação de clientes por escritórios de arquitetura [e]

Habitação Social no Brasil: brevíssimo resumo

Conjunto Habitacional do BNH
Conjunto Habitacional do BNH

Até as primeiras décadas do século 20, não havia qualquer política habitacional de Estado no Brasil. Ainda que estivéssemos sob influência de modelos urbanos europeus, as iniciativas habitacionais de Estados liberais não foram por aqui reproduzidas. Os exemplos mais emblemáticos do norte da Europa, como os holandeses, não foram importados. Em nossa estrutura socioeconômica oligárquica e agroexportadora, e distribuição populacional predominantemente rural (até a década de 1950), as políticas urbanas seguiam um modelo nacional de não intervenção, confiando na capacidade da “mão invisível” do mercado em se auto-regular, principalmente antes da crise de 1929.

Assim sendo, as iniciativas estatais pontuais que surgiram para solucionar os frequentes problemas de epidemias de febre amarela causadas pela aglomeração de trabalhadores em habitações precárias, insalubres e com condições sanitárias extremamente degradantes limitaram-se a oferecer incentivos à iniciativa privada para a ampliação da oferta de habitação, como os incentivos à construção de vilas operárias. Quase sempre tais incentivos tiveram pouco efeito no problema e termos agregados, quase não produziram elevação da oferta, enquanto a demanda explodia em centros urbanos que se industrializavam rapidamente. Continuar lendo Habitação Social no Brasil: brevíssimo resumo