Arquitetura popular brasileira – indicação de livro

Arquitetura popular brasileira. Livro. Günther Weimer

Este é, sem dúvida alguma, o livro mais interessante que já li sobre o tema, a começar pelo título. Günther Weimer constrói uma argumentação contra a tradicional arquitetura vernacular. E logo as primeiras páginas já valem o livro, trazem um interessante estudo sobre nossas influências culturais a partir das raízes mais antigas de nossa formação étnica, começando pela migração de povos asiáticos para a América do Norte e de lá descendo até nossas terras para formar nossos primeiros povoamentos indígenas, milhares de anos atrás.

Daí em diante, é impossível largar essa obra: aborda as origens do que chamamos de influência européia, a identificação da diversa e rica contribuição africana e as demais correntes imigratórias que recebemos mais fortemente nos últimos 150 anos. Weimer também identifica de forma precisa manifestações construtivas desprezadas pelo poder dominante, incluindo equívocos de se associar adaptações locais de técnicas ancestrais milenares de alhures em nossas terras, tais como as palafitas e a busca pelo contato com a água. Continuar lendo Arquitetura popular brasileira – indicação de livro

As bases da crítica, segundo Montaner

Segundo Josep María Montaner, toda crítica é a emissão de um julgamento, e se desenvolve em proximidade à teoria, à estética (forma como se apresenta) e à história. Muito mais que promover ou negar, ou que estabelecer obras melhores e piores, é muito mais completa, possui desafios metodológicos e contradições internas característicos das atividades com o mais amplo sentido cultural. Por exemplo, no caso da arquitetura, o julgamento se estabelece sobre a medida em que a obra alcançou (ou não) suas finalidades: funcionalidade distributiva e social, beleza e expressão de símbolos e significados, adequados usos de materiais e técnicas, relação com o contexto urbano, o sítio de implantação e ao meio ambiente. Continuar lendo As bases da crítica, segundo Montaner

Como resolver um problema

Década de 1960: problemas se resolvem com lógica e racionalidade.

Década de 1970: problemas se resolvem com lógica e racionalidade num processo bem definido e organizado.

Década de 1980: problemas se resolvem com lógica e racionalidade num processo bem definido e organizado num grande computador. Continuar lendo Como resolver um problema

A emblemática PPP educacional do Uruguai

Se você está se perguntando porque uma PPP de educação no Uruguai seria emblemática, provavelmente está fazendo uma questão muito pertinente. Nosso vizinho é, sem qualquer dúvida, o Estado de bem-estar social (welfare state) mais bem-sucedido da América do Sul, e não é de hoje. Há muitas décadas que os uruguaios conheceram soluções (de fato) democratizantes no que diz respeito a direitos e benefícios sociais básicos. A habitação teve um gigantesco salto de qualidade (e quantidade) com uma construção de parcerias entre Governo e entidades setoriais de trabalhadores. Educação é de amplo acesso a todos, a ponto dos uruguaios desconhecerem a nossa realidade de vestibulares para educação superior. A Universidade da República oferece um número de vagas condizente com a demanda. Tanto que em vários cursos concorridos (Direito, por exemplo), sobram vagas para o atendimento à demanda interna, e eles recebem estudantes estrangeiros, entre os quais se incluem brasileiros.

Então por que um país como o Uruguai está fazendo uma PPP de educação? Continuar lendo A emblemática PPP educacional do Uruguai

La Casa de Papel 3 desafia o Estado nacional

O Príncipe de Maquiavel está na mira. Não é ficção. Não é só na Espanha. A ascensão do Estado foi uma necessidade para a viabilização da Revolução Burguesa. Naquele mundo e até os anos 1990 fez muito sentido. Hoje, após os primeiros movimentos disruptivos da Revolução Tecnológica, estamos adentrando em outro momento, de economia compartilhada e pulverizada. O B2C dando espaço ao C2C.

Começou com a primavera árabe, que parecia fazer muito sentido do ponto de vista ocidental. Reforcemos: do ponto de vista ocidental. Era fácil para nós observar de fora a rejeição ao poder desproporcional ao Estado Teocrático. Continuar lendo La Casa de Papel 3 desafia o Estado nacional