Planos de negócios para escritórios de arquitetura e urbanismo [e]

Hoje farei aqui a abertura de um assunto que deve vir a tomar o espaço deste blog em uma sequência de textos nos quais falaremos sobre aspectos de planejamento e gestão dos escritórios de arquitetura e urbanismo. Fique à vontade para comentar, fazer sugestões ou solicitações, a ideia é abrir um debate tão amplo quanto possível sobre estas que (segundo os próprios arquitetos titulares dos escritórios brasileiros) são grandes dificuldades enfrentadas diariamente no espaço de trabalho dos arquitetos por excelência.

Ao longo dos anos de 2018 a 2020, foi realizada uma pesquisa no âmbito do curso de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da FAU-USP (primeira publicidade dada aos resultados em 17/12/2020, na defesa de tese) sobre os desafios e aspectos críticos para a construção de planos de negócios para escritórios de arquitetura e urbanismo. Há muito o que comentar sobre esse estudo, que nos alimentou com um volume muito grande de informações, e pretendemos divulgar o máximo possível, de forma organizada a partir de agora, de diversas formas: através de organizações profissionais de classe, publicação de artigos científicos, por este blog, e assim por diante. Fique à vontade para sugerir que assunto você gostaria que fosse abordado primeiro – e para isso também escrevo hoje, abrindo o espaço de comentários abaixo para suas sugestões. Continuar lendo Planos de negócios para escritórios de arquitetura e urbanismo [e]

A emblemática PPP educacional do Uruguai

Se você está se perguntando porque uma PPP de educação no Uruguai seria emblemática, provavelmente está fazendo uma questão muito pertinente. Nosso vizinho é, sem qualquer dúvida, o Estado de bem-estar social (welfare state) mais bem-sucedido da América do Sul, e não é de hoje. Há muitas décadas que os uruguaios conheceram soluções (de fato) democratizantes no que diz respeito a direitos e benefícios sociais básicos. A habitação teve um gigantesco salto de qualidade (e quantidade) com uma construção de parcerias entre Governo e entidades setoriais de trabalhadores. Educação é de amplo acesso a todos, a ponto dos uruguaios desconhecerem a nossa realidade de vestibulares para educação superior. A Universidade da República oferece um número de vagas condizente com a demanda. Tanto que em vários cursos concorridos (Direito, por exemplo), sobram vagas para o atendimento à demanda interna, e eles recebem estudantes estrangeiros, entre os quais se incluem brasileiros.

Então por que um país como o Uruguai está fazendo uma PPP de educação? Continuar lendo A emblemática PPP educacional do Uruguai

Indicação de livro: o pior emprego do mundo

 

O jornalista Thomas Traumann traz em O pior emprego do mundo um relato de bastidores do Ministério da Fazenda brasileiro a partir de entrevistas com os principais protagonistas de nossa macroeconomia desde os anos 1970 até 2018.

Importante ressaltar que este não é um livro técnico, e os eventos não são narrados com detalhes suficientes para seu pleno entendimento. Ainda assim, é uma leitura interessante enquanto obra complementar, porque mostra bem algumas motivações e eventos que ocorreram em paralelo ao que vemos em aulas de economia. Ou seja, conta as histórias que a literatura técnica de economia brasileira contemporânea não costuma incluir. Continuar lendo Indicação de livro: o pior emprego do mundo

A maior crítica à PPP: a barganha faustiniana

Um dos textos mais lúcidos que encontrei sobre este assunto foi o de Luis Felipe Vidal Arellano [1], e mesmo a este entendo que ainda cabem alguns comentários. O relato abaixo tem essa obra como referência primordial, complementada por comentários pessoais meus.

O que parece haver de interessante no mecanismo legal da PPP é a possibilidade de se mobilizar recursos privados para projetos de interesse da sociedade que demandem grandes montantes de investimento – características essas típicas de projetos de infraestrutura. Além disso, também parece haver potencial para maior eficiência econômica na prestação de serviços públicos via Lei 11.704/2009 (Lei de PPP).

Porém, a contrapartida disso é o risco à sustentabilidade fiscal dos entes públicos frente a contratos de longo prazo com compromissos financeiros constantes. Esse risco é identificado principalmente quanto à tendência dos concedentes utilizarem o mecanismo de PPP não pela recomendação econômica ou operacional, mas para “afastar os efeitos financeiros da contratação do orçamento público e do balanço patrimonial do governo” [1]. Essa tendência, conhecida como “barganha faustiniana” em referência à obra de Goethe, sacrificaria o longo prazo em prol dos benefícios de curto prazo. Continuar lendo A maior crítica à PPP: a barganha faustiniana

O que é Equity Support Agreement (ESA)

A modalidade de project finance permite o desenvolvimento de projetos que exijam altos aportes iniciais de capital, como os tão necessários investimentos em infraestrutura no país. Isso acontece porque o investidor pode aportar apenas uma parcela minoritária do projeto com capital próprio, e alavancar financeiramente a operação através de empréstimos (endividamento), cuja garantia de crédito é justamente o fluxo de receitas futuras do próprio projeto (daí o “project“). Até aí, já havíamos explicado aqui no blog.

Obviamente, numa estrutura financeira desse tipo, a mitigação de riscos adquire papel central na estruturação do projeto. Os credores, responsáveis pelo maior volume financeiro aportado, certamente vincularão suas concessões de crédito à consideração de quando o projeto começa a produzir receitas certas e estáveis para a cobertura do serviço da dívida. Continuar lendo O que é Equity Support Agreement (ESA)