A cidade do entreguerras

Entre as décadas finais do século 19 e o término da Primeira Guerra Mundial (1918), as cidades europeias vivenciaram uma inédita fase de aceleração em seus processos de transformação morfológica, adquirindo grande complexidade estrutural e inovações inéditas em termos de infraestrutura, serviços públicos, equipamentos urbanos e tipologias de edifícios.

Ao mesmo tempo, o urbanismo se estabelece enquanto campo de conhecimento autônomo para dar respostas às questões que passam a surgir nas aglomerações ou novas formas de assentamentos urbanos, a despeito de ter havido a prática empírica do pensamento urbano desde os primeiros assentamentos humanos organizados, como vimos nos posts anteriores até aqui. Continuar lendo A cidade do entreguerras

A cidade de Cerdá

Quase sempre, a grande transformação física de alguma cidade vem em resposta a uma motivação econômica. Da mesma forma que cidades estão fisicamente preservadas em decorrência de um súbito declínio econômico de suas principais funções capitalistas (como ocorreu com Parati/RJ, Goiás/GO, Ouro Preto/MG, etc.), o oposto também acontece: um forte crescimento econômico impulsiona fortes alterações estruturais urbanas. Foi o que aconteceu com a capital da Catalunha em meados do século 19.

O Plano Cerdá para Barcelona
O Plano Cerdá para Barcelona

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A cidade de Haussmann

A Paris de Haussmann (que é praticamente a mesma capital francesa que conhecemos hoje em termos viários) é provavelmente a mais emblemática experiência do urbanismo barroco registrado enquanto obra construída. Trata-se de uma radical intervenção numa cidade de traçado medieval, renovando o traçado viário, reformando a estrutura fundiária, construção de obras de infraestrutura urbana, de equipamentos, urbanização de novos espaços livres com três grandes objetivos:

  1. Fácil circulação dentro do espaço urbano;
  2. Erradicar a insalubridade e decadência nos bairros, favorecer a circulação de ar no interior das quadras adensadas, criar uma imagem de modernidade, arborizar a abrir espaços livres na cidade;
  3. Valorizar e enquadrar monumentos em perspectiva, os conectando entre si por vias largas.

Plano urbano de Haussmann para Paris Continuar lendo A cidade de Haussmann

A cidade utópica

O século 19 concentrou os problemas da industrialização em áreas urbanas repentinamente inchadas e despreparadas para o adensamento. Em questão de poucas décadas, a realidade humana se tornou mais sórdida, e seria quase impossível ao europeu da época dissociar a perda de qualidade ambiental do rápido processo de urbanização.

Num processo natural de reação, surgiram novas propostas de reformas sociais e econômicas em novas formas de comunidades, tais como os falanstérios (Owen) e familistérios (Fourier), as quais sugeriam profundas transformações sócio-culturais, muito além de ajustes físicos das formas urbanas. Era um momento de completo redesenho da organização humana à nova realidade industrial, mecanizada e exponencialmente mais ágil. Continuar lendo A cidade utópica

A cidade oitocentista europeia

O período compreendido entre 1850 e 1900 foi caracterizado por diversas modalidades de complexidades e embates das mais diversas naturezas na sociedade europeia. A cidade clássica e barroca continuavam presentes, coexistindo com novas tipologias protomodernistas. A densidade demográfica sofria forte crescimento, enquanto a industrialização trazia diversas novas formas de conflitos. Continuar lendo A cidade oitocentista europeia