Como projetar uma adega residencial: dicas

O consumo e a apreciação de vinho pelos brasileiros cresceu muito nas últimas décadas. Com a mudança do costume, veio também a valorização dos espaços de guarda nas residências. A exibição de espaços bonitos e sofisticados em mídias e redes sociais transformou as caves em objetos de fetiche da classe média brasileira. Mas será que estamos projetando adequadamente esses ambientes?

Existem alguns elementos sugerindo que não. Em primeiro lugar, cada família tem um padrão de consumo diferente, o que deveria resultar em projetos diferentes. Além disso, são raros os padrões de consumos elevados ou de vinhos de guarda, o que aponta para um certo exagero no dimensionamento de muitas caves residenciais.

O projeto desses espaços, assim como de quaisquer outros espaços internos de residências, depende de uma série muito grande de fatores. Elenco abaixo apenas alguns deles, os quais considero de grande importância: Continuar lendo Como projetar uma adega residencial: dicas

Para que serve o Norte no projeto de arquitetura?

O projeto de um imóvel se diferencia substancialmente de outros projetos móveis, como objetos e veículos, justamente por sua fixação espacial. Como não poderemos nunca mais “ajustar” a posição ou orientação desses “objetos” tão especiais, os aspectos físicos ganham importância crucial para as decisões de design. Topografia, ventos predominantes, características de precipitações (chuvas) mais intensas, acessos, visuais, sombreamento, rugosidade do terreno, possíveis alterações morfológicas de vizinhança e uma infinidade de outras variáveis se tornam críticas ao bem imóvel.

Assim, um dos elementos mais críticos vem a ser o movimento aparente do sol. Muito mais que alterações de luminosidade, a insolação de um determinado território define e interfere em variáveis como temperatura, umidade e ventos, só para citar algumas. Ou seja, o sol define as condições de conforto ambiental dos ambientes construídos. Continuar lendo Para que serve o Norte no projeto de arquitetura?

A rede de contratos do project finance

Como dissemos antes, o project finance tem como uma de suas principais características a rede de relações contratuais. Hoje vou apresentar aqui a mesma tela que mostrei no AgileTrends GOV 2021, um arranjo de rede contratual para projetos de concessão de infraestrutura.

Os elementos centrais são o Poder Concedente (órgão público que concede o serviço à iniciativa privada) e a Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada pelo licitante vencedor no leilão da concessão. Entre ambos se estabelece o contrato central da operação. Continuar lendo A rede de contratos do project finance

O que é Certificado de Operação Estruturada (COE)

O COE é relativamente recente no mercado de capitais brasileiro. Foi criado para ampliar as opções de funding de operações estruturadas de diversas naturezas e setores.

O COE tem duas características principais: primeira delas, é um título emitido por bancos, mas não se confunde com CDB, principalmente porque mistura renda fixa e renda variável; segunda característica central, funciona como cesta de títulos e derivativos, com a possibilidade de incluir: Continuar lendo O que é Certificado de Operação Estruturada (COE)

O prelúdio do êxodo urbano

Seria irresponsável de minha parte apresentar, para o curto prazo, qualquer vislumbre de sociedade completamente conectada à distância e funcionando bem dessa forma. Alguns estudos mostram que a proporção de trabalhadores que podem desempenhar adequadamente suas atividades laborais à distância representam algo entre 10% a 20% do total da força de trabalho ativa no Brasil.

De fato, os demais 80% a 90% parecem estar dependentes da localização geográfica das oportunidades de trabalho. Porém, algo importante a ser considerado é que uma parte considerável deste segundo grupo mais vinculado ao território também está vinculado ao local em que o primeiro grupo escolher se instalar. São atividades direta ou indiretamente relacionadas à escolha que outras pessoas fazem para moradia (fixação de residência). Isso inclui uma ampla gama de atividades comerciais, de prestação de serviços, institucionais e administrativas no sentido estrito (atividades de Governo).

O que importa nisso tudo é a seguinte conta: a população urbana brasileira atual (sem entrar no mérito de discussões metodológicas) é de aproximadamente 160 milhões de pessoas. Se considerarmos que algo em torno de 15% dessa população é elegível para o home office permanente, estamos desvinculando nada menos que 24 milhões de brasileiros do território em que se encontram. Isso representa desvincular da localização física um Chile e um Uruguai inteiros somados em termos populacionais. E lembre-se que eu nem incluí nessa conta a parcela de movimentação indireta do segundo grupo populacional. Continuar lendo O prelúdio do êxodo urbano