BIM e a nova função do escritório de arquitetura [GA]

A revolução do BIM está, aos poucos, trazendo um novo papel aos escritórios de arquitetura: o de estruturador de bancos de dados. Para entender como isso está acontecendo, é necessário fazer uma rápida contextualização: o BIM, ao contrário do que vinha ocorrendo com as (honrosas) tentativas de parametrização dos sistemas CAD, conseguiu efetivamente popularizar um sistema geométrico baseado em bancos de dados. Sim, é disso que estamos falando, porque a parametrização do BIM nada mais é que um banco de dados combinado com a apresentação, edição, ensaios e análises tridimensionais cada vez mais intuitivas em ambiente virtual (pelo menos num primeiro momento).

No mundo real, isso tem se apresentado cada vez mais como uma construção inicial de bancos de dados a quem fará a gestão de operação e manutenção desse constructo tridimensional – e essa sempre foi a ideia, desde o início. O gestor, que tradicionalmente faria um controle próprio a partir de um diagnóstico do ativo, passa a receber o banco de dados inicial de um projeto executivo que também adquire novo significado. E isso se processo nos diferentes níveis dimensionais do BIM: Continuar lendo BIM e a nova função do escritório de arquitetura [GA]

Escritório de arquitetura não é uma linha reta [GA]

Acredito que o atual interesse dos arquitetos pelo tema do empreendedorismo e ferramentas de gestão tenha uma explicação muito simples e clara. O escritórios de arquitetura vivem um desafio inédito de estrutura de mercado. Para entender isso, é necessário um breve retrospecto. Continuar lendo Escritório de arquitetura não é uma linha reta [GA]

Chips M1 ou M2 para arquitetura? [GA]

Alguns leitores perguntam minha opinião sobre os chips M1 ou M2 para tarefas de arquitetura, incluindo BIM e modelos 3D hiperrealistas. A questão tem vindo principalmente de leitores do post O Apple Mac é fantástico!, onde trato um pouco de soluções Apple para aplicações em escritórios de arquitetura.

Também é preciso contextualizar a pergunta: recentemente, a Apple rompeu com os chips Intel por não terem evoluído para a nova tecnologia que permite aos novos notebooks terem um desempenho muito mais alto com baixíssimo consumo de energia. Com isso, enquanto novos computadores conseguem um desempenho muito mais alto com baterias que podem durar até 24 horas de uso ininterrupto, os chips Intel não acompanharam essa evolução. Até aí, nenhuma dúvida resta.

Chips M1 e M2 da Apple

Porém, a Apple, uma das primeiras a migrar completamente para a nova tecnologia, adotou o chamado chip Apple Silicon, e nomeou seu primeiro processador central de M1. Pouco tempo depois, lançou outro chip, mais potente e econômico, chamado M2. Daí veio a dúvida dos leitores: vale a pena pagar mais caro pelo M2, se o M1 já representa um imenso salto tecnológico? Continuar lendo Chips M1 ou M2 para arquitetura? [GA]

Série Gestão Arquitetônica começa agora [GA]

Bom dia, queridos leitores!

Conforme anunciei em 24 de janeiro passado, hoje darei início a uma série de textos específicos sobre a administração do escritório de arquitetura. Apesar de já ter publicado alguns textos sobre esse assunto no passado (veja aqui), percebi que o assunto, tão caro para mim, estava ficando em segundo plano no blog. A vacina para esse equívoco começa agora.

Atualmente, o assunto vem sendo tratado internacionalmente sob o título Gestão Arquitetônica (GA), o que explica a título desta série de textos. Apesar de ser um tema relativamente recente nas discussões em nosso campo profissional no Brasil, o assunto Architectural Management vem sendo discutido na Grã-Bretanha desde 1964, e aparece com este título em artigos científicos do início da década de 1990. Continuar lendo Série Gestão Arquitetônica começa agora [GA]

A história da Times [tipografia]

Times, Stanley Morison, 1932
Times, Stanley Morison, 1932

Aquilo que chamamos de “tipo” no mundo ocidental, ou seja, o desenho das letras que usamos numa palavra ou texto (como estas que você lê agora) tem uma origem romana. Asiáticos e outros povos têm isso muito claro por não usarem corriqueiramente essa família de caracteres: eles se referem ao “alfabeto romano” quando precisam utilizar essa família de caracteres tão naturais e familiares a nós.

Os romanos, obcecados pelos ideais gregos de beleza e equilíbrio racionais, concluíram (em especial no período do Imperador Trajano, 98-117) pelo desenho de uma família específica de caracteres, inspirada nos ideais canônicos gregos – assim como o fizeram em tantas outras áreas humanas. A família de caracteres do alfabeto grego, como sabemos, é diferente da família tipográfica romana. Ainda assim, o Imperador Trajano fez questão de demonstrar essa inspiração do classicismo grego em sua Coluna erigida com 30 metros de altura, cuja base apresenta inscrições numa família tipográfica (talvez a primeira formal romana), cujo desenho de caracteres evidencia cada extremidade de haste (o que chamamos de serifa). Esse elemento tem duas funções principais: Continuar lendo A história da Times [tipografia]