Montevideo para arquitetos

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Montevideo é uma cidade fantástica, especialmente para arquitetos. A escala urbana reduzida, edifícios do colonial ao contemporâneo, com grande presença do Art Déco (em geral bem preservados), o urbanismo hispânico para a América, a topografia suave de colinas e sua história singular fazem desta cidade um lugar extremamente interessante, a minha preferida na América do Sul.

Jardín Japonês - Montevideo

Primeiro olhar

O Uruguai impressiona logo na chegada, e deixa com inveja qualquer brasileiro com seu aeroporto moderno e adequado a uma capital nacional (e reforça o atraso de nossa própria infraestrutura…). O aeroporto de Carrasco, localidade próxima a Montevideo (faço questão de escrever o nome da cidade na forma nativa, até porque também não quero que escrevam a minha como “San Pablo”).

Carrasco_aerop

Quem chega a Montevideo vê a cidade Continuar lendo Montevideo para arquitetos

Quantas Operações Urbanas cabem em São Paulo?

Parece que a prefeitura de São Paulo não entendeu muito bem o objetivo de uma Operação Urbana. Há tantas sendo previstas no município que uma grande parte do território do centro expandido estará dentro de operações urbanas! O conceito de foco num território para recuperá-lo promovendo desenvolvimento social, ambiental e econômico não funciona desse jeito. Aparentemente a prefeitura está entendendo este instrumento como uma ferramenta arrecadatória, mais uma vez sem transparência tributária para o consumidor final. Operação Urbana não é um instrumento para tributar o desenvolvedor imobiliário, é muito mais do que isso. Veja outro post deste blog que explica isso. É uma excelente oportunidade do poder público se beneficiar da mais-valia produzida pela valorização imobiliária especulativa.

Operações Urbanas em SP

Um ótimo exemplo de operação urbana é a recuperação de Continuar lendo Quantas Operações Urbanas cabem em São Paulo?

Marketing de cidades: preocupação que um prefeito deveria ter

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

A palavra marketing costuma provocar reações alérgicas nas pessoas que lidam com urbanismo, em geral profissionais humanistas como arquitetos e urbanistas, sociólogos, geógrafos, historiadores (ainda há poquíssimos administradores públicos). Esses profissionais são educados longe de qualquer ensino formal sobre o marketing, e em geral possuem um sólido conhecimento histórico da luta de classes e dos movimentos de esquerda no mundo. O desconhecimento do que é marketing leva a adotar a definição do senso comum (que invariavelmente é manca), a uma visão muito limitada do marketing e associação à ideia de ferramenta comercial e de vendas.

Mas se o marketing for entendido (como deveria) conforme suas definições mais precisas, e devidamente compreendido no contexto atual de visão global de responsabilidade e sustentabilidade, pode surgir (e já está surgindo) um movimento no sentido de justificar a aplicação de ferramentas do marketing por causas historicamente avessas, como o poder público municipal. Não sei se isso realmente trará benefícios sociais (objetivo, em tese, do poder público), nem sei se a argumentação apresentada é realmente válida. Mas vai acontecer.

Marketing é uma palavra que nunca foi traduzida corretamente, por isso ficou assim em nossa língua antropofágica. As palavras terminadas em “ing” em inglês, possuem diversos sufixos em português. Quando foi traduzida por “mercadologia” ficou errado, por que marketing não só estudo ou conhecimento do mercado. O objetivo do marketing é otimizar as relações de troca, não necessariamente trocas comerciais. Por isso existe o marketing social e o marketing Continuar lendo Marketing de cidades: preocupação que um prefeito deveria ter

Dicas para projeto de iluminação (ou, por que bons restaurantes perdem clientes por serem escuros)

DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS NA FORMA DA LEI. CITE A FONTE.

por Ricardo Trevisan

Parece que os donos de restaurantes confundem iluminação agradável com falta de iluminação. Na tentativa de criar ambientes agradáveis, simplesmente reduzem a iluminação dos ambientes a tal ponto de ficar difícil saber o que estou realmente comendo (o que dizer então da cor do alimento…). E muitos restaurantes escolhem mal as lâmpadas e mesmo com iluminação fraca, convivem com a luz mais desagradável possível. Se o consumidor achar que o restaurante está tentando disfarçar ou esconder alguma coisa, certamente isso vai pesar muito na avaliação do estabelecimento.

O pior problema é que pouca gente sabe que existe um tipo de Continuar lendo Dicas para projeto de iluminação (ou, por que bons restaurantes perdem clientes por serem escuros)

O que é Operação Urbana?

DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS NA FORMA DA LEI. CITE A FONTE.

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

Há uma explicação interessante sobre o que é Operação urbana no site do Prof. Dr. Csaba Deák, da FAUUSP: (…) um instrumento de intervenção de política urbana (…). Sua origem remonta às ZAC-s (Zones d’Aménagement Concerté) da França e nas experiências em São Paulo de Continuar lendo O que é Operação Urbana?