Avaliação de intangíveis por Radegaz Nasser: obra de Picasso (UPAV 2016)


O engenheiro Radegaz Nasser, referência na área de avaliação de imóveis e Certificado pelo Ibape nível AAA, trouxe um caso no mínimo curioso às telas da UPAV 2016 no Rio de Janeiro: a avaliação de um quadro de Pablo Picasso. Evidentemente que existe um valor intangível na obra de difícil caracterização, e o valor de transação variaria de acordo com o tipo de comprador. Só para citar dois complicadores, entre outros.

Curioso também é como o problema se colocou em suas mãos. Durante um curso de informática, no qual era treinado em planilhas eletrônicas, Radegaz recebeu os dados de diversas obras do artista para fazer exercícios simples como obter médias e montar gráficos. Mas dados tão mastigados, com tantas variáveis disponíveis são tentadoras a qualquer avaliador que ame o que faz. De posse dos valores obtidos em leilão para aquelas obras, fez uma avaliação que ninguém havia solicitado.

A primeira providência foi, por trabalhar com modelos econométricos, tirar toda a subjetividade da análise. Portanto, questões de gosto, mesmo que de especialistas no assunto, foram excluídas por não ter objetividade pertinente ao modelo de avaliação adotado. Também não foram consideradas quaisquer variáveis que envolvessem nível de conhecimento no assunto. E apreciações estéticas foram eliminadas por não serem passíveis de mensuração.

Foram trabalhados 756 dados numa amostra de leilões de quadros do artista, utilizando para isto uma planilha eletrônica comum. Para a obtenção do modelo preditivo por regressão linear múltipla foi utilizado o software Infer 32.

O mercado de arte é singular por ser esta a natureza de seus ativos. Existem intermediários como galerias de arte, salas de leilões (onde a grande concorrência pode inflar momentaneamente os preços) e o próprio poder público, quando este trabalha em prol da proteção de bens culturais.

O lado demandante é restrito, formado basicamente por fundos públicos de arte e coleccionadores privados. por outro lado, a oferta de quadros de Picasso também é baixíssima, de modo que fica difícil determinar o grau dessa assimetria. O colecionismo ocorre por quatro principais motivos:

  • cultural
  • amador
  • investidor
  • por ostentação

Foram analisados também antecedentes metodológicos para a avaliação do bem: determinístico (opiniões de valor), aleatórios (a partir de riscos estimativos, como a possível proximidade da morte do artista em determinada época de negociação), genético (valor custo/transformação) e econométrico (análise multivariada por regressão linear múltipla).

Foi estimado um valor de tendência central comum Intervalo de Confiança estatístico para o grau de confiabilidade de 80%, tal como prescreve a NBR 14.653. As variáveis utilizadas foram:

  • Ano da obra
  • Altura
  • Largura
  • Tipo (pintura ou desenho)
  • Assinatura (presente ou não)
  • Se a autenticidade é validada pela Fundação Picasso
  • Atura / largura
  • Ano da venda

O resultado teve um R2 de 0,7640, um t de Student de 48,94 (o crítico era 2,58) e uma significância do modelo de 0,01%. Todos os repressores foram aceitos no teste bicaudal, com Grau de Fundamentação III, com distribuição de resíduos comprovando a tese de normalidade.

Após o estudo, houve 6 leilões de obras de Pablo Picasso. Quatro delas ficaram dentro do Intervalo de Confiança e todas as 6 dentro do Intervalo de Predição. Com um pensamento objetivo, o mestre Radegaz Nasser nos deu uma magnífica aula de avaliação de um bem extremamente complexo. Claro que não é perfeito, mas esta é a arte da avaliação de bens.

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2 respostas para Avaliação de intangíveis por Radegaz Nasser: obra de Picasso (UPAV 2016)

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