O que é “sale and leaseback”

As empresas são organizações que, por definição, reproduzem o capital a uma taxa igual ou superior ao seu próprio custo de oportunidade. Em outras palavras, para aquele dado nível de risco do setor em que a empresa atua, há investimentos alternativos cuja taxa de retorno é conhecida. Por exemplo, quem investe no ramo imobiliário sabe qual seria a rentabilidade de aplicar o mesmo capital em fundos de investimento imobiliário ou em ações de outras empresas do mesmo ramo.

Ocorre que esta taxa de remuneração do capital em risco costuma ser superior às taxas de remuneração de investimentos de risco mais baixo. E imóveis para aluguel tem nível de risco inferior a muitas outras atividades econômicas. Continuar lendo O que é “sale and leaseback”

Classificação de fundos de investimento ANBIMA

A ANBIMA classifica os fundos de investimento em três níveis:

Nível 1: por tipo

  1. Fundos de ações: cujo patrimônio é investido prioritariamente em ações negociadas em bolsa de valores (free float)
  2. Renda fixa: investe prioritariamente em instrumentos financeiros de renda fixa, sejam títulos públicos ou privados, pré-fixados ou pós-fixados
  3. Multimercados: cujo patrimônio busca a diversificação de investimentos entre os tipos aqui listados
  4. Cambial: investe prioritariamente em moeda estrangeira

Nível 2: por política de investimentos Continuar lendo Classificação de fundos de investimento ANBIMA

O que é Certificado de Operação Estruturada (COE)

O COE é relativamente recente no mercado de capitais brasileiro. Foi criado para ampliar as opções de funding de operações estruturadas de diversas naturezas e setores.

O COE tem duas características principais: primeira delas, é um título emitido por bancos, mas não se confunde com CDB, principalmente porque mistura renda fixa e renda variável; segunda característica central, funciona como cesta de títulos e derivativos, com a possibilidade de incluir: Continuar lendo O que é Certificado de Operação Estruturada (COE)

De quê o governo tem medo?

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Quando Paul Volcker emplacou com sucesso a cartilha do controle monetário no Fed, no início da década de 1980, estabeleceu um novo padrão mundial de responsabilidade fiscal e monetária. Estímulos monetários sem limites à economia, como, por exemplo, a emissão monetária pulverizada que levou à crise do Encilhamento brasileiro (1889-1891), foram riscados da caixa de ferramentas dos governos centrais em todo o planeta.

A consequência disso é que os tesouros nacionais se utilizam atualmente da negociação de títulos públicos em mercado aberto (open market) para diversas finalidades. As duas principais são: Continuar lendo De quê o governo tem medo?

CAPM com mais de um beta (multibeta): exemplo de iluminação pública

O uso de modelos de precificação de ativos de capital para cálculo do custo de capital próprio já é bastante consolidado em todo o mundo. Esse tipo de cálculo é essencial para a determinação da taxa de desconto para análises de fluxo de caixa, o que se faz corriqueiramente em avaliações de empreendimentos, estudos de viabilidade e modelagens econômico-financeiras, por exemplo.

Esses modelos, dos quais o mais famoso certamente é o Modelo de Precificação de Ativos de Capital (Capital Asset Pricing Model – CAPM), utilizam como coeficiente de ponderação de risco setorial um elemento de amplo conhecimento no mundo financeiro: o beta. Esse coeficiente nada mais é que uma relação estabelecida entre dois elementos: (a) a covariância entre os retornos de mercado e os retornos do ativo ou setor em análise, e (b) a variância dos retornos de mercado. Ou seja, é uma métrica de sensibilidade quanto às amplitudes de variação, e não uma medida de aderência ou correlação.

Porém, em alguns casos, será necessário ponderar o risco em fluxos de caixa que envolvam mais de um setor. Em casos assim, utilizar qualquer um dos betas setoriais certamente levará a algum tipo de viés e, portanto, prejudicará a análise. O professor Aswath Damodaran, nome amplamente reconhecido da New York University (Stern) sugere uma solução: o CAPM com mais de um beta. Continuar lendo CAPM com mais de um beta (multibeta): exemplo de iluminação pública