Importância dos cenários econômico-financeiros

Uma prática comum e perigosa é a construção de estudos econômico-financeiros (planos de negócios, estudos de viabilidade, avaliações, modelagens etc.) baseada em um único cenário mais provável, obtido por meio de ponderações médias. O resultado pode ser perigoso para a tomada de decisão pelo risco de representar um resultado impossível, tal como dizer que o resultado mais provável ao rolar um dado será igual a 3,5.

A prática mais saudável é nunca ignorar riscos, e incluí-los nas previsões de fluxo de caixa, não no custo de capital. E a melhor forma de se fazer isso é construindo cenários alternativos e possíveis de fluxo de caixa. Parece óbvio, mas as empresas tendem a usar “atalhos” para construção de fluxos de caixa projetados, ou seja, a partir de um fluxo hipotético viável, aumentando a taxa de desconto para considerar seus riscos de variação.

Uma abordagem mais segura seria desenvolver múltiplos cenários, calcular o valor do fluxo de caixa descontado (FCD) de cada um deles pelo custo de capital não-ajustado, e então aplicar probabilidades  para cada cenário, de forma a obter um valor esperado do projeto ou da empresa.

Usar cenários traz diversas vantagens:

  • Os tomadores de decisão terão mais informações, o que também incentiva o diálogo sobre os riscos envolvidos;
  • Incentiva os gestores a desenvolver estratégias para mitigar riscos pontualmente identificados;
  • Reconhece a existência de uma ampla variabilidade de resultados possíveis; em outras palavras, mostra todo o potencial do projeto (ou da empresa) ao mesmo tempo em que também deixam claros os riscos dos resultados negativos.

Uma boa análise de cenários tende a levar a um caso de resultado positivo muitas vezes melhor que o caso típico (ponderado por médias) [1]. E também dá transparência quanto à exposição ao maior resultado negativo possível. Num universo de muitos projetos, as únicas possibilidades costumam ser o grande sucesso ou o fracasso, com baixa probabilidade de que se obtenha pouco mais que o custo do capital investido.

[1] KOLLER, Tim et al. Avaliação de empresas (valuation): como medir e gerenciar o valor de empresas. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2022.

Saiba mais:

Livro Avaliação de empresas valuation

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