Relatório Focus captura tendência de queda da Selic

O relatório da pesquisa Focus do Banco Central desta segunda-feira, dia 19/06/2023, registrou a tendência de queda da taxa Selic pela primeira vez em muitas semanas. É a primeira sinalização de inflexão para baixo desde o início do novo governo federal.

Relatório Focus 19/06/2023

Essa tendência registrada vem em consequência do deslocamento da maior parte das respostas da pesquisa para o grupo que vê a queda na taxa de juro Selic meta. Certamente isso ocorre por consequência das repetidas manifestações de tendências de queda das taxas de inflação anualizada (12 meses), que até hoje ainda refletem os “solavancos” da intervenção do governo nos preços dos combustíveis durante o ano de 2022 e outras intervenções heterodoxas na economia.

O (ainda mais) inevitável BIM [GA]

A Graphisoft, proprietária do Archicad, realizou seu maior evento digital nos últimos dias 14 e 15 de junho: o Building Together 2023. Logo na abertura, o CEO Huw Roberts já contextualizou o momento histórico atual com uma leitura de iminência de forte aceleração na assimilação global do BIM. É esperado que os próximos anos sejam fortemente marcados pelo aguçamento da revolução de processos no setor de AEC.

Segundo Huw Roberts, a maioria dos projetos gera hoje aproximadamente 20% de perdas de material de construção. E esta observação se refere a uma realidade global, incluindo países centrais com sistemas construtivos mais racionalizados e industrializados que os nossos. Aproximadamente, 30% dos trabalhos de desenvolvimento de projetos se destinam a reconstruções necessárias em função de erros de execução. Orçamentos e prazos estrapolam as previsões iniciais em 90% dos casos de grandes construções, e corrigir essa distorção passa por melhorias nos padrões de comunicação e de coordenação de projetos.

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Visão geral do BIM [GA]

Compreender o BIM passa pela compreensão ampla do empreendimento e da linguagem utilizada pelo investidor. Todos os aspectos da gestão de um empreendimento, inclusive ao do próprio escritório de arquitetura se reflete, de uma forma ou de outra, no BIM.

A concretização do ativo físico sempre tendeu a ser iniciada pelo arquiteto, mas o restante do processo era opaco para nós, porque as informações e processos eram muito compartimentados. Isso acontecia no mundo analógico e no mundo digital anterior, como o da tecnologia CAD de produção de documentos.

BIM não é um software, é um conjunto de políticas, processos e tecnologias que está criando uma nova forma de trabalhar. É muito mais um como do que um o quê. Desde o início da informatização dos processos de trabalho estamos numa mesma tendência de integração, transparência e colaboração. O BIM é apenas o coroamento deste processo no tempo presente com a utilização das possibilidades tecnológicas disponíveis. Com elas, criamos novas ferramentas, redesenhamos os processos de trabalhos e repensamos nossas políticas infra e extra-setoriais.

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Das novas funções urbanas (e humanas)

Talvez a pandemia de covid-19 tenha colocado em definitiva obsolescência a Carta de Atenas ao deslocar os eixos principais da discussão sobre as funções humanas da cidade. Isso ocorre principalmente por adentrarmos em um novo período histórico no qual a discussão das localizações deixa de ser uma questão primordial de desenho urbano e passa a ganhar relevâncias de outras naturezas.

Resultado do IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna realizado em 1933, a Carta de Atenas foi um manifesto conduzido por um Le Corbusier que ainda consolidava sua posição no cenário urbanístico mundial. Com sua visão racionalista característica, simplificou as funções urbanas em quatro categorias básicas: habitar, trabalhar, lazer e a circulação.

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Por um novo paradigma habitacional: o papel do município

Questão habitacional

Comecei a trabalhar com habitação social em 2002. Na época, a carência de recursos para o setor era entendida quase que como característica intrínseca, e havia uma predominância de entendimentos de que deveríamos fazer o possível, atuando das situações mais críticas com o pouco recurso disponível. Essa linha de entendimento levava a ações que ficaram conhecidas como “urbanização de favelas”. O que se fazia era levar redes de energia elétrica (oficial), água e esgoto a casas de autoconstrução precárias e insalubres.

O problema maior, a meu ver, é que as tais “urbanizações de favelas” não agiam sobre as casas! É isso mesmo, eram ações “habitacionais” que não tinham absolutamente nenhuma ação sobre as moradias em si. Não consigo entender como esse tipo de ação urbana possa ser caracterizada, stricto sensu, como habitacional.

Outro fato que logo veio a meu conhecimento e que certamente causa mais espanto frente ao contexto foi descobrir que a urbanização de favela não é uma ação tão econômica quanto se fazia parecer. Alguns colegas da prefeitura onde eu trabalhava me mostraram os reais custos de urbanização de algumas comunidades que estavam em curso havia mais de uma década, e os custos não eram muito distantes do que posteriormente vimos nos modelos do Minha Casa Minha Vida. Pior: gastavam quase o mesmo sem agir, em nada, sobre as moradias que continuavam precárias e insalubres. Continuar lendo Por um novo paradigma habitacional: o papel do município