CAPEX intelectual e o ativo intangível [GA]

O tratamento contábil de ativos físicos pode ser incompatível com a contabilização dos ativos intangíveis, e isso nos afeta sobremaneira. Os ativos intangíveis são responsáveis por grande parte do valor de mercado das empresas, e se manifestam na forma de força da marca, tecnologia, profissionais de alta qualificação e conhecimento da força de trabalho, para elencar apenas alguns exemplos.

Ona BCN

Os primeiros princípios da contabilidade sugerem uma regra simples para diferenciar despesas de capital (CAPEX) das despesas operacionais (OPEX): qualquer despesa cujos benefícios se prolongarão por muitos anos é despesa de capital (CAPEX). E qualquer despesa cujos benefícios se encerram durante o ano em curso, é despesa operacional (OPEX). [1] Continuar lendo CAPEX intelectual e o ativo intangível [GA]

O que é custo de oportunidade? [GA]

Ainda me espanta que esse conceito esteja ausente num campo (arquitetura e urbanismo) que lida com a escassez de recursos. Os arquitetos estão sempre próximos às pessoas mais carentes de nossa estrutura social, lutando por melhores condições de justiça social, por moradia digna para todas as famílias (independente de seu formato), por cidades justas e funcionais, em defesa de nossos recursos naturais, e presentes em tantas outras causas tão nobres.

Durante nossa pesquisa encontramos sócios-titulares conscientes do custo de oportunidade de tempo do escritório, e atribuindo o real valor aos escassos recursos de pessoas disponíveis. Por outro lado, o custo de oportunidade econômico-financeiro era quase inexistente: ouvimos diversos entrevistados com raciocínio financeiro estático, considerando que retirar o investimento realizado daqui a dez anos, corrigido pela inflação, seria o mesmo que “sair no zero a zero”, ou seja, não ter perdas nem ganhos.

Não estou aqui falando exclusivamente de lucro ou prejuízo, pois o investimento realizado em qualquer empreendimento não deixa de ser um empreendimento com impacto social. Existem recursos construídos a duras penas por uma sociedade desigual alocado ali, e mesmo que seu escritório não mire em externalidades sociais positivas, possui uma responsabilidade social, no mínimo com seus colaboradores, parceiros e fornecedores que dependem dessa renda, com seus clientes que dependem de sua capacidade de gerar valor de forma concreta, e também consigo mesmo, com os sócios que alocaram seus recursos, seu tempo, sua energia e, em última instância, suas vidas naquele empreendimento. Continuar lendo O que é custo de oportunidade? [GA]

Canvas como gerador de modelos de negócios [GA]

Alex Osterwalder e Yves Pigneur desenvolveram um método ágil, conciso e visual para a construção de modelos de negócios, chamado canvas. Obviamente suas características indicam boa aplicabilidade, ou pelo menos facilidade metodológica de aplicação. O canvas está apoiado na construção (lado esquerdo) e entrega (lado direito) de valor ao cliente. Um dos maiores benefícios trazidos pelo canvas aos escritórios de arquitetura foi justamente a construção de um modelo visual de simples compreensão demonstrando a centralidade do valor ao cliente nos modelos de negócios sustentáveis.

Ou você constrói um empreendimento em torno dos benefícios reais a serem entregues de forma viável a seus clientes, ou não sobreviverá por muito tempo. Esta colocação é bastante evidente para a administração e incrivelmente pouco conhecida em nosso campo.

A pesquisa com sócios de escritórios de arquitetura de São Paulo identificou muitos centrados em aspectos internos, como a vontade de fazer bem feito, a necessidade de se estruturar bem, de ter boas equipes, de ter bons parceiros, alguns raros entrevistados preocupados em identificar os clientes, pouca preocupação com canais e mais rara ainda preocupação com a construção de valor. Continuar lendo Canvas como gerador de modelos de negócios [GA]

Marketing na arquitetura [GA]

Um dos aspectos que mais causaram perplexidade em nossa pesquisa com arquitetos titulares de escritórios de São Paulo foi a recorrente afirmação, proferida com orgulho, de que “o meu escritório não faz marketing”, ou que “nunca precisei fazer marketing”.

Causa perplexidade e tristeza ver que continuamos com este nível de ignorância institucionalizada por todo o setor: quando se pesquisa a necessidade do cliente para estabelecer um programa de necessidades, está fazendo marketing; quando desenvolve um produto (edificação, objeto, cidade etc.) pensando em maximizar benefícios ao cliente ou usuários, está fazendo marketing; quando constrói o preço da proposta comercial, está fazendo marketing; quando gerencia caminhos para que o cliente atinja seus objetivos com maior facilidade, está fazendo marketing. E então, só porque não fez comunicação ativa para conquistar mais clientes ou contratos, acredita que o escritório não faz marketing. Infelizmente, isso só comprova que não fazem a menor ideia do que o termo marketing significa. Continuar lendo Marketing na arquitetura [GA]

O que são falhas de mercado [GA]

Introdução à economia Gregory Mankiw

O mercado livre e aberto, ao contrário do que acreditavam os economistas clássicos, é incapaz de alocar os recursos da sociedade com eficiência. Adam Smith acreditava que a livre concorrência aumentaria a eficiência global da economia e elevaria o bem-estar geral da população. Porém, o mercado operando livremente é incapaz de corrigir alguns desvios e injustiças que surgem. As externalidades negativas produzidas pelos agentes de mercado servem de ótimo exemplo de falha de mercado relevante: poluição gerada na produção ou transportes da construção civil, incomodidade de vizinhança, desigualdade de renda, desemprego, malefícios à saúde humana são exemplos recorrentes.

Algumas vacinas às falhas de mercado costumam vir da atuação do Estado no sentido de mitigar, reduzir ou mesmo eliminar distorções. Essas vacinas se manifestam na forma de agências reguladoras, controle de preços administrados, política monetária com metas de taxas de juros, tributação compensatória, salário-mínimo, programas de renda mínima etc.

O déficit habitacional é um ótimo exemplo de falha de mercado. A livre atuação de agentes de mercado não foi suficiente para prover moradia digna a todas as famílias, ainda que desenvolvedores imobiliários queiram vender o máximo possível de unidades habitacionais. Os subsídios estatais à aquisição de habitação social ou (mais recentemente) para a locação social são iniciativas que objetivam reduzir essa falha de mercado muito presente na vida dos brasileiros. Continuar lendo O que são falhas de mercado [GA]