A Holanda esteve na vanguarda da arquitetura e do urbanismo modernos de início do século 20 em diversas vertentes. Seus objetivos de política pública já eram incomuns na virada do século, e o caráter progressista de suas propostas só se acentuou pelas décadas seguintes, incluindo a priorização de questões sociais, a construção de habitação social em escala, industrialização da construção, o planejamento de longo prazo e a gestão territorial local. Continuar lendo A cidade experimental holandesa
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A cidade radiosa de Le Corbusier
O papel de Le Corbusier para o Movimento Moderno é tão importante que fica difícil imaginar outro igualmente influente para citar como referência. Sua atuação pessoal era quase como a de um profeta convicto divulgando ideias radicais e polêmicas a todos os ventos, acompanhado de uma produção técnica concreta e uma militância esforçada em arregimentar o máximo possível de pessoas que encontrava pelo caminho.

Também é seguro considerar Le Corbusier como uma das principais influências no desenho urbano internacional de 1940 até 1970. A partir da década de setenta, passou a ser criticado pelas deficiências das cidades europeias de então, mas a grandeza de sua obra foi (merecidamente) reconhecida alguns anos mais tarde. Continuar lendo A cidade radiosa de Le Corbusier
A cidade-jardim de Ebenezer Howard
Da mesma forma que a cidade modernista “heróica”, a cidade-jardim também foi um modelo desenvolvido em resposta às questões de adensamento intenso e deficiências na salubridade habitacional urbana oitocentista.
Porém, a cidade-jardim surgiu como uma opção bastante diferente do modernismo racionalista em princípio: enquanto este último busca por uma solução nova para a construção de um futuro que se apartasse das tradições, a cidade-jardim olhará para elementos positivos do passado em busca de possibilidade de aproveitamento numa cidade que combinasse os melhores aspectos da cidade tecnológica com o que havia de bom na vida bucólica do passado.

Isso se traduz morfologicamente em subúrbios de baixa densidade, formados basicamente por residências unifamiliares. Apesar desse modelo de subúrbio já ser conhecido antes do modelo cidade-jardim, esse último trouxe algumas rupturas importantes em relação ao desenho urbano de baixa densidade anterior.
A cidade do zoneamento funcional
A ideia da compartimentação funcional da cidade não era novidade per se, uma vez que Vitrúvio, Palladio e Viollet-le-Duc já haviam feito sugestões nesse sentido. Entretanto, o racionalismo modernista leva o conceito a uma escala radical num contexto de redesenho total do espaço urbano em relação aos modelos tradicionais.
Era também uma reação violenta à aproximação de usos incompatíveis na cidade oitocentista, levando o pensamento urbano da época à obsessão pela organização e distribuição de usos no solo. Seu extremo está presente da Carta de Atenas, a qual coloca as funções da cidade como elementos de base ao planejamento urbano, isolando usos em estruturas construídas distintas e bem definidas em relação à maneira como deveriam ser usadas: Continuar lendo A cidade do zoneamento funcional
A cidade da moradia moderna
A ascensão da cidade modernista foi acompanhada do direcionador de políticas públicas de produção de habitação salubre, com boas condições sanitárias, bem ventilada e iluminada. Era a reação natural de uma geração que conheceu as primeiras (e talvez mais graves) versões de insalubridade urbana nas cidades industriais repentinamente adensadas.
Aliado a este contexto, partidos políticos progressistas também ascenderam ao poder na Europa, trazendo um novo entendimento sobre a responsabilidade do Estado em promover a garantia à habitação saudável de forma democrática, visão esta que viria a ganhar ainda novo impulso a partir do keynesianismo na década de 1930. Após a Segunda Guerra Mundial, as necessidades de reconstrução, o adensamento das cidades e o baby boom concluíram a construção do contexto para a cidade da moradia moderna no século 20. Continuar lendo A cidade da moradia moderna