O que é tradeoff? [GA]

tradeoff

A tomada de decisões pelo gestor nunca é uma tarefa simples. Frente a duas possibilidades de conduta, nem sempre estará claro qual delas promoverá mais benefício. Cada possibilidade de conduta terá suas condições específicas, diferentes probabilidades de sucesso, diferentes potenciais de geração de resultados, diferentes interdependências com outras condutas, e assim por diante.

Assim como o processo projetual, a gestão de um empreendimento também não é linear nem mapeável. O gestor trabalha quase o tempo todo tomando decisões em cenários de incerteza ou de escuridão absoluta. A cada decisão tomada em que outra possibilidade precisa ser descartada, existe o chamado tradeoff: é uma espécie de custo de oportunidade de uma escolha, o que você deixa de ter por ter optado pela hipótese alternativa. A vida é cheia de tradeoffs: quando você compra alguma coisa e deixa de comprar outra, quando escolhe uma faculdade em detrimento de outra, quando opta por uma carreira em detrimento de inúmeras outras, quando viaja para um destino e deixa de ir para outro, quando casa com alguém, quando sai de casa, quando fica em casa… Não deveria causar nenhum espanto que o mesmo ocorra na gestão de um empreendimento.

Ao enfrentar um problema envolvendo tradeoffs, dois aspectos principais devem ser considerados:

  1. Qual é o objetivo a ser atingido, qual escolha parece nos aproximar mais dele?
  2. Qual será o consumo de recursos (materiais, financeiros, tempo etc.) da escolha? Qual escolha tem melhor relação entre avanços em direção ao objetivo frente ao seu custo total?

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Os limites da inovação em PPP

Detalhe da intervenção de Haussmann em Paris

Os contratos administrativos de parceria público-privada (PPP) conferem um potencial imenso de inovação para as cidades. Mais que permitir inovações tecnológicas, esses contratos customizáveis, medidos por desempenho na prestação de serviços e com riscos bem delimitados permitem às prefeituras, estados e União a criação de novos arranjos e pacotes de incentivos ao parceiro privado. Isso abre um gigantesco leque de oportunidades para que soluções de serviços públicos desejadas por todos há muito tempo possam sair do papel.

Por outro lado, todo esse potencial só se concretizará se todas as partes envolvidas na estruturação do projeto de concessão estiverem conscientes de suas potencialidades. Nenhuma inovação real ocorrerá se poder concedente, estruturadores, consultorias técnicas e instituições de fomento não encararem o desenho da concessão como algo diferente de uma construção convencional de ativos indiferenciados do que se já produz de outras formas. Continuar lendo Os limites da inovação em PPP

Por que vale a pena fazer PPP habitacional?

Os contratos de PPP (parcerias público-privada) são pouco compreendidos pelos gestores habituados a contratos de curto prazo, como contratos habitacionais Minha Casa Minha Vida tradicionais. Isso acontece porque a PPP é um contrato administrativo de longo prazo, e por este motivo precisa ser analisado sob a perspectiva de fluxo de caixa descontado. Em suma, o investidor privado faz uma obra (constrói o ativo) e depois segue com ele prestando diversos serviços associados ao ativo por um prazo longo, recebendo contraprestações pecuniárias periódicas até o final do prazo contratual.

PPP é a contratação da prestação de um serviço, e não de uma obra. Ou seja, a prefeitura, numa PPP habitacional, contrata a prestação de serviços habitacionais (manutenção dos edifícios, trabalho social, gestão da carteira, etc.), e não apenas da construção de um empreendimento habitacional. Outra informação relevante, no caso de PPP de Locação Social, é que as unidades habitacionais reverterão ao bem público ao final do contrato. Ou seja, no contrato desse tipo de PPP a prefeitura contrata também a construção de um parque público de habitação social. Continuar lendo Por que vale a pena fazer PPP habitacional?

A síndrome do arquiteto operador [GA]

escritório de arquitetura

 

Uma das constatações que mais me preocupa é a de que os arquitetos se afastaram da liderança estratégica em projetos complexos ao longo das últimas décadas. Dos construtores de um novo país nos anos 1950, passamos a assumir um papel técnico afastado do planejamento estratégico dos grandes projetos nacionais. Se este afastamento vier de uma decisão consciente de classe, pouco posso fazer a respeito. Mas se vier de deficiências de conceitos e lexicológicos de gestão, farei meu melhor para contribuir com a reversão desse quadro.

Durante a década de 1950, houve uma proximidade muto grande entre o então Presidente da República Juscelino Kubitscheck e Oscar Niemeyer, numa linha de construções estratégicas que não paravam apenas em construções técnicas. Niemeyer chegou a ser convidado a planejar a nova capital, Brasília, mas insistiu na realização de um concurso conduzido pelo IAB, e preferiu presidir tal banca de comissão julgadora. Recomendo a leitura do livro de Milton Braga (O concurso de Brasília) a este respeito. Continuar lendo A síndrome do arquiteto operador [GA]

O voo sem plano dos escritórios de arquitetura [GA]

Uma das coisas que mais me preocupa, além de constatar que os escritórios de arquitetura não possuem nenhum tipo de plano de negócios, é ver que nossos colegas não têm a menor ideia do que seria isso e nem de como seria feito. Essa ausência está no epicentro de grande parte das dificuldades de gestão dos escritórios, inclusive porque as simulações necessárias para a construção de um plano costumam naturalmente migrar para outra natureza após o início das operações: a de base de instrumentos de gestão, utilizada no cotidiano do dirigente como facilitador de suas tarefas gerenciais.

Voo sem plano nos escritórios de arquitetura [GA]

Nosso campo tem o mau hábito de menosprezar a necessidade de se planejar o escritório. Também vejo que esse discurso nada produtivo tem origem em arquitetos formados na década de 1970, e existe um motivo lógico para isso. Até a década de 1980, a economia brasileira tinha crescido numa magnitude recordista mundial. Não é força de expressão, é informação literal: exatamente em 1980, o crescimento do PIB brasileiro havia sido o maior salto de crescimento econômico do planeta – e só não ficamos no topo do pódio do século 20 porque o Japão nos desbancou nas duas décadas finais. Continuar lendo O voo sem plano dos escritórios de arquitetura [GA]