As operações de sale and leaseback (venda para posterior arrendamento) quase nunca criam valor para a empresa. Nesse tipo de operação, a empresa vende um ativo imobiliário de seu próprio uso, e que deseja continuar a usar, para um comprador que então o arrenda de volta (“leases back”) para a mesma empresa. A empresa então remove este ativo de seu balanço patrimonial e trata a operação, para fins contábeis, como uma simples venda. Eventualmente, também usa o resultado dessa venda para amortizar dívidas.
Aparentemente, esta empresa passa a ter um ativo menor e menos endividamento, já que as parcelas pagas são tratadas contabilmente como aluguéis, os quais substituem a depreciação futura do ativo e as despesas com juros. Aparentemente, o retrato dessa empresa se torna “mais saudável”, mesmo que as despesas com aluguéis sejam superiores à soma da depreciação com as despesas com juros, como acontece frequentemente nessas operações nos EUA.
Empresas de grande porte frequentemente encontram taxa de juros implícita no arrendamento superior à taxa de captação de capital de terceiros convencional. Isso acontece porque o arrendador utiliza o crétido do arrendatário para financiar a compra (operação), algo semelhante ao que acontece em muitos casos de project finance. Adicionalmente, o comprador ainda precisa cobrir o seu custo de capital próprio e seus custos operacionais.
A empresa também incorre na tributação aplicável a operações de venda de ativos (principalmente sobre ganho de capital), ou seja, pode ter que pagar impostos sobre seus ganhos na venda do ativo. Ainda que agências de classificação de risco tratem esse tipo de operação como uma simples captação de dívida, há que se considerar todos esses pormenores específicos.
Eventualmente, a operação de sale and leaseback pode criar valor quando a empresa quer poder parar de usar o ativo antes do término de sua vida útil restante, eliminando o risco de uma possível desvalorização desproporcional até o momento em que a venda se fizer necessária. Também pode haver criação de valor quando o arrendador tiver maior capacidade de usar os benefícios fiscais associados à propriedade do ativo, como o lançamento contábil de depreciação acelerado, por exemplo.
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