CAPEX intelectual e o ativo intangível [GA]

O tratamento contábil de ativos físicos pode ser incompatível com a contabilização dos ativos intangíveis, e isso nos afeta sobremaneira. Os ativos intangíveis são responsáveis por grande parte do valor de mercado das empresas, e se manifestam na forma de força da marca, tecnologia, profissionais de alta qualificação e conhecimento da força de trabalho, para elencar apenas alguns exemplos.

Ona BCN

Os primeiros princípios da contabilidade sugerem uma regra simples para diferenciar despesas de capital (CAPEX) das despesas operacionais (OPEX): qualquer despesa cujos benefícios se prolongarão por muitos anos é despesa de capital (CAPEX). E qualquer despesa cujos benefícios se encerram durante o ano em curso, é despesa operacional (OPEX). [1] Continuar lendo CAPEX intelectual e o ativo intangível [GA]

As catedrais continuam brancas

As catedrais continuam brancas

Eu me deparei, recentemente e por contingências da vida profissional, com o interessante livro da arquiteta Amélia Reynaldo (As catedrais continuam brancas), uma belíssima descrição do histórico de desenvolvimento urbano da cidade do Recife (PE). Ainda não terminei de ler o trabalho, mas garanto que seus primeiros 40% já valem a leitura.

Um dos aspectos que mais me impressionou foi a incrível simetria entre as cidades de Recife e São Paulo no que tange os desenvolvimentos físico, de pensamento e da regulação urbana, incluindo aqui também seus instrumentos de preservação cultural. Dois pontos importantes se sobressaem de tal constatação: primeiro, a participação de personagens em comum nessa história, como Saturnino de Brito, Prestes Maia e Ulhôa Cintra; segundo, a presença de influências nacionais e globais de cada época na construção de cenários urbanos similares. Continuar lendo As catedrais continuam brancas

Arquitetos titulares enquanto gestores de pessoas [GA]

Os arquitetos titulares dos escritórios brasileiros raramente se identificam com o papel de executivo de uma organização empresarial ou de uma instituição sem fins lucrativos. Porém, acumulam todas as funções deste papel. Deste posto dependem funções primordiais à sobrevivência no longo prazo, tais como a criação de uma visão motivadora, a inspiração à equipe, a proposição de desafios que valem a pena, a visão de que as pessoas do escritório estão participando de algo muito maior que elas próprias e maior que a soma das individualidades dos profissionais envolvidos.

Também cabe a este papel compreender que cada pessoa traz uma visão subjetiva ao trabalho e enriquece o grupo. É necessário identificar e compreender as pessoas para que o todo funcione bem. Habilidades como liderança e comunicação são fundamentais a quem se propõe a liderar um escritório. Continuar lendo Arquitetos titulares enquanto gestores de pessoas [GA]

Das novas funções urbanas (e humanas)

Talvez a pandemia de covid-19 tenha colocado em definitiva obsolescência a Carta de Atenas ao deslocar os eixos principais da discussão sobre as funções humanas da cidade. Isso ocorre principalmente por adentrarmos em um novo período histórico no qual a discussão das localizações deixa de ser uma questão primordial de desenho urbano e passa a ganhar relevâncias de outras naturezas.

Resultado do IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna realizado em 1933, a Carta de Atenas foi um manifesto conduzido por um Le Corbusier que ainda consolidava sua posição no cenário urbanístico mundial. Com sua visão racionalista característica, simplificou as funções urbanas em quatro categorias básicas: habitar, trabalhar, lazer e a circulação.

Continuar lendo Das novas funções urbanas (e humanas)

Casa Butantã – Paulo Mendes da Rocha

Casa Butantã

 

Creio não haver dúvidas de que a paixão do brasileiro pelo futebol vem da nossa potência e histórico nesse campo, longe de ser nossa única fortaleza nacional. Outra potência nacional, infelizmente ainda pouco difundida de forma ampla por nossas limitações, são artefatos e registros de uma das culturas mais ricas do planeta. Riqueza esta advinda não apenas de heranças de nossa riquíssima mestiçagem étnico-cultural, mas principalmente de nossa capacidade de invenção e reinvenção de modos de viver, uma habilidade que nosso povo desenvolveu a partir da oportunidade de ingerir e digerir uma multiplicidade imensa de influências e costumes que os imigrantes das mais variadas origens trouxeram em suas bagagens, que as ondas do rádio, da TV ou a internet importaram. Continuar lendo Casa Butantã – Paulo Mendes da Rocha