Qual a diferença entre IPCA, IPC, IGP-M, ICV, INCC…

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo: do IBGE (organismo do governo federal), foi criado para a correção de demonstrativos financeiros de companhias abertas (não se faz mais, esse tipo de correção foi extinto em 1996). A coleta é contínua e sistemática de variações de preços ao consumidor de famílias com renda até 40 salários mínimos. Os dados são coletados nas Regiões Metropolitanas de Belém, Recife, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, e Brasília. São também coletados dados no município de Goiânia. Os dados são coletados entre o primeiro e o último dia do mês de referência, e a variação é divulgada entre os dias 8 e 12 do mês seguinte.

IPC – Índice de Preços ao Consumidor: da FIPE (uma fundação ligada à USP – Universidade de São Paulo), é medido na cidade de São Paulo com base num consumidor com renda entre um e vinte salários mínimos. A cesta é baseada na POF – Pesquisa de Orçamento Familiar, do IBGE, em constante atualização. A pesquisa é feita entre o primeiro e o último dia do mês de referência, e divulgada entre os dias 10 e 20 do mês seguinte. É o mais tradicional indicador do custo de vida das famílias paulistanas e um dos mais antigos do Brasil, começou a pesquisar em janeiro de 1939.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado: da Fundação Getúlio Vargas (entidade privada), foi criado para a correção de alguns títulos do Tesouro Nacional e para depósitos bancários pós-fixados com prazos acima de um ano. Depois, passou a ser utilizado para correções de contratos como aluguel e energia elétrica. É divulgado ainda no final do mês de referência porque a coleta é feita entre os dias 21 do mês anterior e o dia 20 do mês a que se refere. É composto por IPA – Índice de Preços por Atacado (60%), IPC – Índice de Preços ao Consumidor (30%) e o INCC – Índice Nacional de Custo de Construção (10%). A cada 10 dias é divulgada uma prévia parcial da variação mensal.

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O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?

A pesquisa Origem e Destino 2007, do Metrô de São Paulo, mostra um problema que os paulistanos, em especial os urbanistas e engenheiros de tráfego conhecem bem: a extrema concentração dos empregos. Não é necessário muito esforço para perceber, pelos gráficos apresentados, que a população se desloca (e muito) todos os dias para chegar ao trabalho pela manhã e voltar para casa no fim do dia. E o pior é que esta concentração da atividade econômica gera concentração de outras atividades, pois universidades, clínicas, bares e restaurantes, entre tantos outros usos comerciais e de serviços procuram ficar próximos de onde as pessoas estão.

Concentração de domicílios - OD 2007 Metrô

Localização de empregos - OD 2007 Metrô

O resultado do fenômeno é a valorização de algumas poucas áreas da cidade em detrimento da estagnação de valores de muitas outras. Algumas tentativas são feitas no sentido de desconcentrar empregos, principalmente os especializados e de alta renda (são os que atraem o resto da cadeia produtiva para perto). Uma modalidade destas tentativas são as operações urbanas, que sempre miram a recuperação ou transformação de um trecho do território. Mas será que uma urbanização funcional e agradável e a oferta de imóveis adequados são suficientes para atrair empregos de qualidade de forma sustentada?

Talvez a melhor resposta para esta questão tenha sido encomendada por Ronald Reagan quando assumiu a presidência dos EUA pela primeira vez, no início dos anos 1980. Continuar lendo O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?

Projetos de cidades são de longo prazo

Cidades são planejadas e executadas em prazos longos. O normal é realizar projetos urbanos em pelo menos um ano de maturação (e isso para um projeto pequeno). Portanto, qualquer projeto um pouco mais relevante, que realmente seja sentido por uma parcela notável da população, como o redesenho de um trecho urbano, levará vários anos desde sua concepção inicial até seus efeitos serem sentidos pela população, passando pela ineficiência, burocracia e inchaço do governo brasileiro, pela estruturação de um “apadrinhamento” político interno do executivo, o convencimento (e articulação política) do legislativo, o aval do chefe do executivo e, finalmente, a destinação de verbas para sua real concretização.

Ou seja, os prazos de realização de efetivos benefícios, no caso das cidades, não correspondem aos prazos dos interesses políticos de nossos governantes. Não se realiza quase nada em quatro anos, e muito pouco em oito. E, não, a solução não é ampliar  os mandatos deles. A solução passa pela Continuar lendo Projetos de cidades são de longo prazo

Veleiro oceânico 40 pés

Projeto FAUUSP, 1997
Orientação: Prof. Dr. Julio Maia de Andrade

Comprimento total: 12,00m
Comprimento da linha d’água: 9,43m
Altura da linha d’água projeto: 0,62m
Boca máxima: 3,90m
Deslocamento: 8,00t
Lastro: 3,80t

Perfil do usuário: casal com filhos / dois casais e filhos / dois casais e amigos / charter
Perfil do uso: longas viagens / autonomia de 30 dias / cruzeiro oceânico
Capacidade ótima: 5 ocupantes
Capacidade máxima: 8 ocupantes

Parâmetros dos cortes: eixo longitudinal (A), baliza 8 (B), baliza 6 (C), baliza 4 (D).
Níveis do duplo fundo: 250 e 400mm

Plano de linhas fornecido (base para o projeto)

Vista lateral

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Montevideo para arquitetos

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Montevideo é uma cidade fantástica, especialmente para arquitetos. A escala urbana reduzida, edifícios do colonial ao contemporâneo, com grande presença do Art Déco (em geral bem preservados), o urbanismo hispânico para a América, a topografia suave de colinas e sua história singular fazem desta cidade um lugar extremamente interessante, a minha preferida na América do Sul.

Jardín Japonês - Montevideo

Primeiro olhar

O Uruguai impressiona logo na chegada, e deixa com inveja qualquer brasileiro com seu aeroporto moderno e adequado a uma capital nacional (e reforça o atraso de nossa própria infraestrutura…). O aeroporto de Carrasco, localidade próxima a Montevideo (faço questão de escrever o nome da cidade na forma nativa, até porque também não quero que escrevam a minha como “San Pablo”).

Carrasco_aerop

Quem chega a Montevideo vê a cidade Continuar lendo Montevideo para arquitetos