Aproximadamente na mesma época de Maslow surgiu outra teoria sobre a motivação no trabalho de grande repercussão. Douglas McGregor propôs duas visões sobre o ser humano, antagônicas entre si: a visão negativa (Teoria X) dizia que as pessoas não gostam de trabalhar e precisam ser coagidas, controladas ou ameaçadas para que a produção aconteça. Com isso, se conclui que o ser humano evita responsabilidades e busca orientação formal sempre que possível, e que o trabalhador coloca a segurança acima de todos os demais fatores associados ao trabalho, demonstrando pouca ambição.
Já a visão positiva (Teoria Y) considerava o inverso, que as pessoas podem achar o trabalho tão natural quanto outras atividades, como descansar ou se divertir. Com isso, se as pessoas estiverem comprometidas com os objetivos, são capazes de se autogerir, além de aceitar e até buscar a responsabilidade, e que qualquer um é capaz de tomar decisões inovadoras.
As teorias X e Y foram estabelecidas a partir de suas observações de como os executivos tratavam seus funcionários, em especial de que a visão dos gestores tinha por base certos agrupamentos de premissas que, por sua vez, tendiam a moldar seu próprio comportamento em relação às equipes. McGregor também acreditava que os elementos da Teoria Y são mais válidos que os da Teoria X na formação do comportamento humano, e propôs ideias de gestão de pessoas bastante vanguardistas para sua época, tais como o processo decisório participativo, desenvolvimento de tarefas desafiadoras, muita responsabilidade e o investimento em bom relacionamento de grupo.
Outro trabalho contemporâneo aos dois anteriormente apresentados (Maslow e McGregor) acabou se mostrando um dos mais importantes de todos os tempos. A teoria de dois fatores (também conhecida como teoria da higiene-motivação) foi apresentada por Frederick Herzberg em 1959, e derrubou o conceito anterior de que motivação e desmotivação pertenceriam a um mesmo eixo ao longo do qual os humores humanos se posicionam. O estudo de Herzberg foi pioneiro na identificação de fatores que provocam satisfação no trabalho ao perceber que a satisfação estava relacionada a fatores intrínsecos ao trabalho: progresso, realização, reconhecimento e responsabilidade.
Já a insatisfação era trazida por fatores extrínsecos, como a supervisão, a remuneração, as políticas da organização, as condições de trabalho, o relacionamento com os outros e a segurança no emprego. Estes últimos foram denominados fatores higiênicos.
A lição mais importante deixada pela pesquisa de Herzberg foi que insatisfação não é o oposto de satisfação. Um mesmo trabalho pode ter fortes elementos de satisfação e de insatisfação ao mesmo tempo.
Eliminar fatores de insatisfação de um trabalho não o torna necessariamente satisfatório.
As três teorias apresentadas (Maslow – McGregor – Herzberg) foram retomadas e evoluídas pelo grupo que ficou conhecido como teorias contemporâneas sobre a motivação. O rigor metodológico das pesquisas das décadas de 1950 e 1960 era muito inferior aos padrões atuais, e isto abriu as portas para as críticas mais recentes àqueles estudos. Alguns pesquisadores, ao procurar por comprovações mais confiáveis, acabaram descobrindo novas evidências de que a percepção básica de Maslow, Herzberg e McGregor estavam corretas, mas as teorias resultantes precisariam de aperfeiçoamentos.
Voltaremos ao assunto apresentando esses aperfeiçoamentos.
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