Por que Medellín virou cidade exemplar para o mundo?

A segunda maior cidade da Colômbia enfrenta os mesmos impactos da crise climática que aflige a todas as grandes concentrações urbanas do planeta: temperaturas em elevação, elevação das cotas (níveis em altura) de alagamentos, deslizamentos de terra, poluição do ar e seus reflexos nos sistemas públicos de saúde, habitação, mobilidade etc. Mas Medellín, ao contrário de muitas outras grandes cidades, não ficou de braços cruzados. Agiu de forma inteligente e integrada, aplicando na prática soluções que os urbanistas já conhecem – e defendem – há muito tempo.

O item mais importante foi o investimento em ampliação de áreas verdes urbanas: criou e ampliou parques lineares, inclusive em corredores de tráfego de automóveis; criou e protegeu corredores ecológicos e áreas de conservação. Este primeiro aspecto já conseguiu reduzir em 4,5 graus Celsius a temperatura média nas regiões em que foram implantados, e já reduziu em 2 graus Celsius a temperatura média de toda a cidade. O município de Medellín ainda quer ampliar esta iniciativa e reduzir mais 4 a 5 graus Celsius adicionais nos próximos anos.

Os benefícios ainda incluem o ganho de qualidade urbana, o ambiente mais agradável aos cidadãos, a melhoria na qualidade do ar e a proteção vegetal contra inundações e deslizamentos. Alguns pontos, como o Parque Arví, incluem iniciativas de educação ambiental.

Outra iniciativa fundamental foi o investimento no transporte inteligente, priorizando a mobilidade por meio de transporte público de alta capacidade (como metrô, teleférico e ônibus elétricos) e o transporte individual de baixo impacto: as ciclovias. Ou seja, a cidade reduziu sua dependência do automóvel particular e isso sempre traz efeitos benéficos: reduz a emissão de gases de efeito estufa (GEE), reduz a geração de calor por motores individuais  e melhora a qualidade do ar da cidade. O Dia sem Carro é adotado e incentivado na cidade.

Dados de monitoramento da qualidade do ar já conseguem mostrar reduções nas concentrações de poluentes atmosféricos, como material particulado (PM2.5), dióxido de nitrogênio (NO2) e dióxido de enxofre (SO2). A implementação de infraestrutura verde e a promoção de edifícios sustentáveis ajudaram a reduzir o efeito de ilha de calor urbano. Isso também pode ser comprovado por meio de dados de temperatura coletados em diferentes áreas da cidade ao longo do tempo.

A cidade tem implementado programas de coleta seletiva, reciclagem e compostagem, incentivando a população a reduzir, reutilizar e reciclar seus resíduos urbanos. Iniciativas de educação ambiental são promovidas para conscientizar os cidadãos sobre a importância desta questão e quais são as formas de gerir adequadamente os resíduos gerados.

Por fim, Medellín também adotou políticas de planejamento urbano inclusivo e participativo, priorizando a inclusão social e a participação cidadã. Através de programas como os “Diálogos Ambientais” e “Orçamento Participativo”, os moradores têm a oportunidade de contribuir para decisões relacionadas ao desenvolvimento urbano e à gestão ambiental da cidade, garantindo que as políticas e projetos atendam às necessidades da população de forma sustentável.

Saiba mais:

Alcaldía de Medellín (Prefeitura de Medellín)

Leia também:

Cidades para pessoas. Jan Gehl

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