A cidade-jardim de Ebenezer Howard

Da mesma forma que a cidade modernista “heróica”, a cidade-jardim também foi um modelo desenvolvido em resposta às questões de adensamento intenso e deficiências na salubridade habitacional urbana oitocentista.

Porém, a cidade-jardim surgiu como uma opção bastante diferente do modernismo racionalista em princípio: enquanto este último busca por uma solução nova para a construção de um futuro que se apartasse das tradições, a cidade-jardim olhará para elementos positivos do passado em busca de possibilidade de aproveitamento numa cidade que combinasse os melhores aspectos da cidade tecnológica com o que havia de bom na vida bucólica do passado.

Cidades-jardim de Ebenezer Howard
Cidades-jardim de Ebenezer Howard

Isso se traduz morfologicamente em subúrbios de baixa densidade, formados basicamente por residências unifamiliares. Apesar desse modelo de subúrbio já ser conhecido antes do modelo cidade-jardim, esse último trouxe algumas rupturas importantes em relação ao desenho urbano de baixa densidade anterior.

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A cidade da moradia moderna

A ascensão da cidade modernista foi acompanhada do direcionador de políticas públicas de produção de habitação salubre, com boas condições sanitárias, bem ventilada e iluminada. Era a reação natural de uma geração que conheceu as primeiras (e talvez mais graves) versões de insalubridade urbana nas cidades industriais repentinamente adensadas.

Aliado a este contexto, partidos políticos progressistas também ascenderam ao poder na Europa, trazendo um novo entendimento sobre a responsabilidade do Estado em promover a garantia à habitação saudável de forma democrática, visão esta que viria a ganhar ainda novo impulso a partir do keynesianismo na década de 1930. Após a Segunda Guerra Mundial, as necessidades de reconstrução, o adensamento das cidades e o baby boom concluíram a construção do contexto para a cidade da moradia moderna no século 20. Continuar lendo A cidade da moradia moderna

A cidade de Raymond Unwin

Todos os eventos que narramos até aqui (vide posts anteriores) levam a alguns momentos-chave de consequências no pensamento urbanismo ocidental. Um desses momentos resultantes ocorreu na Grã-Bretanha em 1909, quando uma série de variáveis confluíram para alguns importantes eventos, destacadamente a aprovação da primeira lei a tratar de planejamento urbano e a publicação de Town Planning in Practice, de Raymond Unwin. Continuar lendo A cidade de Raymond Unwin

A cidade do entreguerras

Entre as décadas finais do século 19 e o término da Primeira Guerra Mundial (1918), as cidades europeias vivenciaram uma inédita fase de aceleração em seus processos de transformação morfológica, adquirindo grande complexidade estrutural e inovações inéditas em termos de infraestrutura, serviços públicos, equipamentos urbanos e tipologias de edifícios.

Ao mesmo tempo, o urbanismo se estabelece enquanto campo de conhecimento autônomo para dar respostas às questões que passam a surgir nas aglomerações ou novas formas de assentamentos urbanos, a despeito de ter havido a prática empírica do pensamento urbano desde os primeiros assentamentos humanos organizados, como vimos nos posts anteriores até aqui. Continuar lendo A cidade do entreguerras

A cidade de Cerdá

Quase sempre, a grande transformação física de alguma cidade vem em resposta a uma motivação econômica. Da mesma forma que cidades estão fisicamente preservadas em decorrência de um súbito declínio econômico de suas principais funções capitalistas (como ocorreu com Parati/RJ, Goiás/GO, Ouro Preto/MG, etc.), o oposto também acontece: um forte crescimento econômico impulsiona fortes alterações estruturais urbanas. Foi o que aconteceu com a capital da Catalunha em meados do século 19.

O Plano Cerdá para Barcelona
O Plano Cerdá para Barcelona

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