Colômbia e Peru estão ganhando do Brasil. Disparado.

Edifício público em Bogotá, Colômbia. Foto Emilene Miossi.

O brasileiro costuma ter certo preconceito em relação à Colômbia e ao Peru. Preconceito é quando formamos um conceito antes de conhecer de verdade. Porque se conhecêssemos, saberíamos que esses dois países estão ganhando do Brasil em desenvolvimento econômico desde 2007. Sem falar que, em distribuição de renda, ganham de nós há muito mais tempo. O Peru, por exemplo, cresce numa média superior a 6% ao ano desde 2007. O Brasil de 2012 não cresceu nem 1%.

O que eles estão fazendo para isso? Afinal, são basicamente exportadores de commodities, assim como nós. Mas as empresas deles estão ganhando valor como nunca. A Ecopetrol, petroleira da Colômbia, já é a terceira empresa de maior valor da América Latina (passou a Vale, o Itaú Unibanco e o Bradesco). O segredo deles é o mesmo que fez o Brasil pré-Dilma deslanchar: controle monetário para dominar a inflação e controle fiscal. Mas adicionaram algo que não temos, carga tributária em patamares mais racionais. Continuar lendo

Saudades do Malocci

Economia é um ramo do conhecimento classificado como ciência. O que classifica assim uma área de conhecimento é a presença de modelos que reproduzam a realidade com elevado grau de confiança, ou seja, que apresente modelos teóricos explicativos da natureza de alguma coisa. É assim com a matemática, a física, a química, a biologia,… e com as ciências econômicas, para usar o termo mais adequado.

O consenso em classificar as ciências econômicas como tal é mundialmente aceito, pois seus modelos explicam com propriedade o comportamento do ser humano ao gerir escassos recursos em qualquer ambiente, da África subsaariana à extinta União Soviética, passando pelos países nórdicos ou remotas ilhas do Pacífico.

Pois bem, uma das constatações mais aceitas na economia é a de que a estabilidade prolongada de uma economia traz crescimento. E temos um laboratório corroborando tal teoria a nossos pés: após a estabilização da economia (1994) seguiram-se longos anos de esforço em mantê-la sob controle até 2006. Seus responsáveis foram basicamente dois: Pedro Malan e Antonio Palocci. O par é às vezes chamado de “Malocci”. Durante esse período o Brasil se preparou para (e efetivamente conseguiu sob muitos aspectos) ser grande. De verdade. Ganhou agilidade, o PIB cresceu, o desemprego caiu, recebemos mais Investimento Estrangeiro Direto (IED), a renda aumentou, o brasileiro em geral melhorou de vida. E estávamos nos preparando para atingir um novo patamar. Continuar lendo