Amsterdam para arquitetos


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Antes de ir

Os Países Baixos, como boa parte da Europa, não exigem visto. Mas não vá para lá sem cartões de crédito ou débito, é muito comum estabelecimentos comerciais holandeses não aceitarem dinheiro (sim, é isso mesmo, eles não aceitam notas de papel). Leve algum dinheiro em papel-moeda para pequenas despesas como transporte coletivo e táxis. Não recomendo levar dólares, a taxa de conversão é desfavorável na maior parte das casas de câmbio. Não troque dólares no aeroporto.

Não vá sem seguro saúde. Pode ser exigido na imigração.

Vale a pena dar uma repassada nos livros da faculdade antes de ir, em especial nos que falam desde H. P. Berlage (melhor ainda se você encontrar o projeto de Rivierenbuurt), desenho urbano do norte europeu, passando por Herman Hertzberger, traçado romano, etc., até o MVRDV. Também recomendo estudar um pouco da história do país, a Companhia das Índias Ocidentais holandesa (V.O.C.) e a forma como eles se financiaram. Se economia é algo de seu  interesse, recomendo uma lida no livro Crash, de Alexandre Versignassi antes da viagem.

Chegando

Do aeroporto de Schiphol até o centro de Amsterdam você tem algumas opções de transporte:

  1. Trem (a minha preferida): compre a passagem (cartão magnético) para Amsterdam Centraal nas máquinas amarelas do saguão principal e depois procure nos painéis azuis qual escada você tem que descer. É rápido, mais econômico que táxi ou Uber e você aproveita o visual da viagem para começar a entender o padrão urbano dessa região da Europa: muita vegetação, traçado regular sempre que possível sobre uma origem vernacular com influência romana, gabarito limitado, máximo aproveitamento da energia solar na arquitetura, etc. E você chega a Amsterdam em sua estação central (Centraal), uma grande gare em estrutura metálica.
  2. Táxi: conveniência e conforto tem seu preço: em torno de 60 euros até o centro de Amsterdam. Os holandeses não têm o costume de dar gorjetas.
  3. Uber: um pouco mais barato que táxi, em geral (depende do horário), mas você precisará de internet para chamar. É possível comprar chip pré-pago no aeroporto.
  4. Ônibus: demorado e pode ser desconfortável se você estiver carregando bagagem. Mas é uma opção.

Os holandeses costumam falar bem inglês, francês e alemão. Mas não pressuponha que eles falarão uma língua exótica naturalmente. O mais educado é perguntar se você pode falar nessas línguas antes de iniciar a conversa.

Onde ficar

O setor noroeste (Jordaan) é o mais caro, e não vejo muita vantagem para arquitetos. Recomendo ficar mais ao sul, perto do Vondelpark ou Sarphatipark, pois você fica mais perto de Rivierenbuurt, o bairro desenhado por H. P. Berlage e onde realmente morou Anne Frank (a casa badalada com filas quilométricas era o escritório do pai dela).

Existem muitas opções de apartamentos equipados a preços interessantes (e você ainda aproveita para entender como funciona um edifício residencial holandês). Explore o Booking, AirBNB, Hotel Tonight e semelhantes, vale a pena. Mas lembre-se de que os edifícios não costumam ter elevador. Quando fui, fiquei num apartamento de último andar, foi cansativo subir todo dia e com bagagem, mas as mansardas e a vista valeram a pena (explorar as coberturas é interessante).

Quanto mais ao centro (região da Praça Dam e Red Light District), menos tranquilidade. As distâncias são relativamente curtas em Amsterdam, então se você, como eu, gosta de caminhar (e aproveita para explorar a arquitetura e o urbanismo locais), vale a pena se afastar um pouco destes pontos.

Transporte

Amsterdam é uma cidade muito amistosa ao pedestre, em qualquer parte. Recomendo caminhar o máximo possível, em especial junto aos canais (preferencialmente no verão) e sugiro uma volta tranquila por Rivierenbuurt (ao sul de De Pijp).

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Rivierenbuurt

Para se deslocar um pouco mais rápido, você pode fazer como os nativos e alugar bicicletas. A liberdade de deslocamento pedalando por lá é incrível, vale a pena.

Você também pode usar o tram (bonde), com extensa rede pela cidade. Neste caso, recomendo comprar um bilhete para todos os dias de uso, sai mais barato que ir pagando avulsos. Você compra dentro do próprio tram, mas lembre-se de embarcar com o dinheiro trocado (em euros). O troco máximo obrigatório é para notas de 20 euros.

Para visitar as cidades do norte (Edam, Volendam, Marken, etc.), compre um bilhete de ônibus de dia todo na Amsterdam Centraal, terminal de ônibus (procure por uma loja deles mesmos, estará cheia de turistas, você vai localizar logo). Com esse bilhete, você faz quantas viagens quiser em 24 horas por 10 euros. Se pagar de qualquer outra forma, sai mais caro. Dica: este bilhete dá desconto na travessia de barco entre Volendam e Marken.

Você também pode se deslocar facilmente para outras cidades (e países) de trem, a partir da estação Amsterdam Centraal. Se estiver mais ao sul, existe outra estação de trem que pode usar (Amsterdam Zuid, Station RAI). Recomendo muito uma volta por Utrecht. Gouda é interessante, mas só se você tiver mais tempo. Delft e Rotterdam vou ficar devendo. Você também estará muito próximo à Bélgica (Bruxelas, Antuérpia, Bruges, chocolate, cerveja, diamantes, etc.).

Por onde começar

Não vou aqui falar das obviedades (museu Van Gogh, Rijksmuseum, etc.). Arquiteto que se preze começa pelo Museu dos Canais (Het Grachtenhuis, fica na Herengracht 386). Verifique se o seu aplicativo de hospedagem lhe dá desconto no ingresso aqui (sei que o Booking dá). A museografia muito interessante tem um roteiro bem construído que narra a origem e o desenvolvimento da cidade. Apesar do nome, o museu trata de muito mais que apenas os canais. Aqui você tem um primeiro panorama de sua evolução urbana. Deixe o passeio pelos canais para depois deste museu, sua perspectiva será muito diferente.

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Maquete do ring de Amsterdam no Museu dos Canais

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Maquete de Amsterdam no Museu Marítimo

Outro obrigatório é o museu marítimo (Sheepvaartsmuseum, fica na Kattenburgerplein, 1), pertinho do OBA e NEMO. O interessante aqui, além do próprio edifício do museu e da museografia de primeira, é entender a relação desta nação com o mar. Há também uma réplica de uma caravela em escala real atracada na baía e uma infinidade de réplicas, miniaturas e instrumentos de navegação.

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OBA – Biblioteca Pública de Amsterdam

OBA (Oosterdokseiland, a oeste da Amsterdam Centraal, perto do restaurante chinês flutuante) é a biblioteca pública da cidade, que vale muito a visita. Não deixe de subir até o restaurante da cobertura para aproveitar a vista.

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