Dimensionamento de equipamentos comunitários: fundamentos

Equipamentos comunitários em geral, tais como escolas infantis, creches, postos de saúde, hospitais e equipamentos de lazer são, infelizmente, pouco considerados em decisões de políticas de expansão da mancha urbana ou nos estudos de adensamento ou restrições construtivas de setores da cidade.

O planejamento urbano municipal deveria articular esta variável (oferta atual e potencial de equipamentos sociais) às variáveis de infraestrutura e equipamentos urbanos (mobilidade, saneamento, ambiental, cultural, morfológica etc.) no processo decisório de regulação do território e revisões de Planos Diretores municipais.

Nesse sentido, trago aqui uma pequena contribuição divulgando uma série de informações que coletei à época em que trabalhei num departamento de desenvolvimento urbano de uma prefeitura paulista. Grande parte vem do livro de Celson Ferrari, mas não tudo. Adiciono inclusive algumas conclusões que obtivemos coletivamente, à época, ao observar estudos comparativos com a realidade urbana com que trabalhávamos. Continuar lendo Dimensionamento de equipamentos comunitários: fundamentos

O que é conflito de agência? [GA]

Preços e economia de arquitetura e urbanismo

O conflito de agência surge sempre que existe uma pessoa ou organização agindo em nome de outra. O primeiro (agente) tem seus próprios objetivos, interesses e agendas que podem estar em algum tipo de conflito com objetivos, interesses e agendas de quem o delegou (principal). Nesta relação, arquitetos e escritórios de arquitetura se posicionam nos dois polos, dependendo do momento.

O cliente contrata outra pessoa ou organização para a prestação de serviços técnicos em arquitetura e urbanismo por não ter conhecimento, recursos ou interesse para fazê-lo por conta própria. Transforma a empresa de arquitetura em seu agente, confiando que seus interesses serão adequadamente tratados, e aqui começa uma zona nebulosa ao arquiteto contratado em alguns aspectos. Continuar lendo O que é conflito de agência? [GA]

Os limites da inovação em PPP

Detalhe da intervenção de Haussmann em Paris

Os contratos administrativos de parceria público-privada (PPP) conferem um potencial imenso de inovação para as cidades. Mais que permitir inovações tecnológicas, esses contratos customizáveis, medidos por desempenho na prestação de serviços e com riscos bem delimitados permitem às prefeituras, estados e União a criação de novos arranjos e pacotes de incentivos ao parceiro privado. Isso abre um gigantesco leque de oportunidades para que soluções de serviços públicos desejadas por todos há muito tempo possam sair do papel.

Por outro lado, todo esse potencial só se concretizará se todas as partes envolvidas na estruturação do projeto de concessão estiverem conscientes de suas potencialidades. Nenhuma inovação real ocorrerá se poder concedente, estruturadores, consultorias técnicas e instituições de fomento não encararem o desenho da concessão como algo diferente de uma construção convencional de ativos indiferenciados do que se já produz de outras formas. Continuar lendo Os limites da inovação em PPP

A síndrome do arquiteto operador [GA]

escritório de arquitetura

 

Uma das constatações que mais me preocupa é a de que os arquitetos se afastaram da liderança estratégica em projetos complexos ao longo das últimas décadas. Dos construtores de um novo país nos anos 1950, passamos a assumir um papel técnico afastado do planejamento estratégico dos grandes projetos nacionais. Se este afastamento vier de uma decisão consciente de classe, pouco posso fazer a respeito. Mas se vier de deficiências de conceitos e lexicológicos de gestão, farei meu melhor para contribuir com a reversão desse quadro.

Durante a década de 1950, houve uma proximidade muto grande entre o então Presidente da República Juscelino Kubitscheck e Oscar Niemeyer, numa linha de construções estratégicas que não paravam apenas em construções técnicas. Niemeyer chegou a ser convidado a planejar a nova capital, Brasília, mas insistiu na realização de um concurso conduzido pelo IAB, e preferiu presidir tal banca de comissão julgadora. Recomendo a leitura do livro de Milton Braga (O concurso de Brasília) a este respeito. Continuar lendo A síndrome do arquiteto operador [GA]

O voo sem plano dos escritórios de arquitetura [GA]

Uma das coisas que mais me preocupa, além de constatar que os escritórios de arquitetura não possuem nenhum tipo de plano de negócios, é ver que nossos colegas não têm a menor ideia do que seria isso e nem de como seria feito. Essa ausência está no epicentro de grande parte das dificuldades de gestão dos escritórios, inclusive porque as simulações necessárias para a construção de um plano costumam naturalmente migrar para outra natureza após o início das operações: a de base de instrumentos de gestão, utilizada no cotidiano do dirigente como facilitador de suas tarefas gerenciais.

Voo sem plano nos escritórios de arquitetura [GA]

Nosso campo tem o mau hábito de menosprezar a necessidade de se planejar o escritório. Também vejo que esse discurso nada produtivo tem origem em arquitetos formados na década de 1970, e existe um motivo lógico para isso. Até a década de 1980, a economia brasileira tinha crescido numa magnitude recordista mundial. Não é força de expressão, é informação literal: exatamente em 1980, o crescimento do PIB brasileiro havia sido o maior salto de crescimento econômico do planeta – e só não ficamos no topo do pódio do século 20 porque o Japão nos desbancou nas duas décadas finais. Continuar lendo O voo sem plano dos escritórios de arquitetura [GA]