Arquitetos titulares enquanto gestores de pessoas [GA]

Os arquitetos titulares dos escritórios brasileiros raramente se identificam com o papel de executivo de uma organização empresarial ou de uma instituição sem fins lucrativos. Porém, acumulam todas as funções deste papel. Deste posto dependem funções primordiais à sobrevivência no longo prazo, tais como a criação de uma visão motivadora, a inspiração à equipe, a proposição de desafios que valem a pena, a visão de que as pessoas do escritório estão participando de algo muito maior que elas próprias e maior que a soma das individualidades dos profissionais envolvidos.

Também cabe a este papel compreender que cada pessoa traz uma visão subjetiva ao trabalho e enriquece o grupo. É necessário identificar e compreender as pessoas para que o todo funcione bem. Habilidades como liderança e comunicação são fundamentais a quem se propõe a liderar um escritório. Continuar lendo Arquitetos titulares enquanto gestores de pessoas [GA]

Tamanho do mercado de arquitetura e planos de negócios [GA]

Caso alguém tenha parado de acompanhar as linhas de contorno de nosso mercado há alguns anos, trago aqui algumas conclusões importantes que podemos extrair nos anuários do CAU publicados nos anos recentes. Em 2012, existiam mais de 105 mil arquitetos no Brasil. De lá para cá, esse mercado tem crescido a taxas constantes de aproximadamente 8% ao ano. Essa taxa de crescimento é relativamente elevada, suficiente para dobrar uma população em apenas nove anos. O resultado foi que, em 2018, já éramos mais de 166 mil arquitetos, em apenas seis anos passamos de uma relação aproximada de um arquiteto para cada 1.905 habitantes para outra de um profissional para cada grupo de 1.266 brasileiros.

Ao mesmo tempo, a prévia do Censo de 2022 já mostra que a população brasileira está crescendo a uma taxa de 0,7% ao ano. Um cálculo simples feito a partir dessas informações revela que a quantidade de arquitetos cresce 1.142,8% mais rápido que a população do país. Continuar lendo Tamanho do mercado de arquitetura e planos de negócios [GA]

Migração do Archicad para o MacOS Sonoma

A Graphisoft publicou uma nota para os usuários do Archicad (BIM) para o MacOS Sonoma, que ainda está em sua versão Beta. Reproduzo abaixo, para referência.

Problemas conhecidos
Archicad: A edição do perfil do Ambiente de Trabalho congela a barra de menus
Versões afetadas: todas as versões do Archicad | ID: DEF-14476
Problema: A barra de menus do Archicad congela ou desaparece após a aplicação de alterações no perfil do Ambiente de Trabalho.
Solução alternativa: Ainda não há solução alternativa. (acompanhe no site da Graphisoft as publicações, eles divulgam assim que corrigem o problema)
Antes de mudar para Sonoma
Saiba mais sobre o Ciclo de Suporte ao Sistema Operacional dos Produtos Graphisoft. Você pode usar a extensão do Google Tradutor no Chrome para traduzir o artigo para o português.

Continuar lendo Migração do Archicad para o MacOS Sonoma

A PPP Habitacional de locação social de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo publicou recentemente o material editalício para consulta pública do projeto de PPP Habitacional com Locação Social, que tem o objetivo de abrigar pessoas em situação de desabrigo, moradores de rua ou na iminência de chegarem a essa situação. A locação social tem sido uma possível solução habitacional aventada em diversas instâncias, incluindo a academia e movimentos sociais de moradia, por diversos motivos:

  • É um modelo que potencializa a capacidade de atendimento do Estado, em especial quando é construído por meio de parcerias público-privadas, no qual o Estado não precisa desembolsar de imediato todos os custos de implantação dos empreendimentos habitacionais. Com o recurso público utilizado num empreendimento típico do Minha Casa Minha Vida aquisição, é possível fazer 18 (dezoito) empreendimentos idênticos para locação social [1];
  • Contribui para a construção de um parque habitacional público no Brasil, o que praticamente ainda não existe;
  • Os programas de locação social têm tido bons resultados em outros países, incluindo alguns cultural e economicamente parecidos com o nosso, como Argentina, Uruguai, Chile, México e África do Sul. Por este mesmo motivo, esses programas têm sido ampliados nesses países;
  • A locação social não “prende” a família carente a um determinado ponto do território, permitindo maior flexibilidade em casos de mudança de local de emprego ou de fonte de renda;
  • O modelo possibilita a ocupação de imóveis desocupados nos centros urbanos de grandes cidades, contribuindo para a revitalização urbana de regiões bem dotadas de infraestrutura e reduzindo a pressão por espraiamento urbano, um problema associado a redução de áreas verdes periféricas, grandes impactos ambientais pela necessidade de transporte de longas distâncias e pressão sobre os cofres públicos por investimentos em equipamentos sociais periféricos novos.

O modelo de concessão proposto pela Prefeitura de São Paulo é de concessão administrativa que inclui a prestação de serviços de gestão predial, gestão operacional dos empreendimentos e gestão administrativa de beneficiários (incluindo trabalho técnico social) pelo prazo de 35 anos. É bom lembrar que tais serviços de longo prazo não existem nos programas tradicionais de aquisição de moradias, como foi feito no Minha Casa Minha Vida até 2018, por exemplo. A proposta de Prefeitura inclui ainda a previsão de apoio à regularização fundiária de todos os imóveis objeto da concessão, eliminando problemas que tivemos no Brasil com iniciativas como as dos IAPs (1937-1964). Continuar lendo A PPP Habitacional de locação social de São Paulo

Censo 2022: um país de população fluida

Cidade média brasileira

O Censo 2022 do IBGE identificou características importantes e distintivas em nossa composição e distribuição demográfica. Uma das constatações mais importantes, do ponto de vista urbano, foi a consolidação de uma enorme constelação de cidades pequenas: 44,8% dos municípios brasileiros têm menos de 10 mil habitantes. E, como se pode imaginar a partir desse dado, a conclusão seguinte foi que nossa população está se concentrando cada vez mais em cidades grandes: 57% da população do país está localizada em apenas 319 municípios (menos de 6% do total).

O fenômeno está bem caracterizado na descoberta de que muitos municípios pequenos e médios no Brasil perderam população, enquanto quase todas as maiores cidades do país cresceram ainda mais em termos populacionais. Porém, mesmo entre as maiores cidades brasileiras, algumas também estão perdendo população: das 20 maiores, 8 delas (40%) tiveram crescimento populacional negativo. São elas: Continuar lendo Censo 2022: um país de população fluida