A revolução habitacional do Recife

PPP Morar no Centro Recife PE

A cidade do Recife sempre esteve na vanguarda da habitação social no Brasil: foi pioneira na instituição de zonas especiais de interesse social (ZEIS), exibiu ao país a força da resistência de uma comunidade carente ao interesse imobiliário (Brasília Teimosa), entre diversos outros exemplos. E no último sábado (31/01/26), reafirmou essa posição de vanguarda ao publicar o primeiro Edital de licitação de PPP de Locação Social do Minha Casa Minha Vida, incluindo retrofit de edifícios históricos, a recuperação de uma estrutura de concreto bem no centro da cidade e a produção habitacional para locação social em parceria com a iniciativa privada.

Mais que uma iniciativa de direito à moradia, a PPP Morar no Centro do Recife é um decisivo e estratégico passo de direito à cidade, um exemplo emblemático ao país. O projeto é composto por imóveis localizados na região central da capital pernambucana ou em seu entorno imediato, incluindo os bairros de São José, Santo Antônio, Boa Vista e Cabanga. Isso significa que a população atendida ficará próxima aos equipamentos públicos de melhor qualidade, de transporte coletivo abundante e dos maiores polos de oferta de emprego e renda. Além disso, o projeto inclui a construção de uma creche no Pátio 304, de reserva de área para outra creche no Cabanga, e construção da sede da Orquestra Criança Cidadã, uma belíssima iniciativa de inclusão social e desenvolvimento cultural. Continuar lendo A revolução habitacional do Recife

Custos e despesas no preço da prestação de serviços [GA]

MEF: Capital de Giro

A prestação de serviços profissionais gera muitas dúvidas e, pior ainda, práticas incorretas de consideração dos custos e despesas na fixação do preço a ser cobrado do cliente. Claro que aqui me concentro nas práticas de arquitetura, engenharia e design, mas certamente o mesmo problema se estende a outros campos profissionais.

Repassarei aqui um roteiro simples da estrutura a ser observada para a correta consideração de tais desembolsos, de forma simplificada para o fácil entendimento do conceito. Considerarei hoje que estão claras as diferenças entre custos e despesas, mas reveja aqui se não estiverem. Continuar lendo Custos e despesas no preço da prestação de serviços [GA]

Conheça a viabilização econômica do retrofit e habitação no centro

O próximo dia 17 de dezembro será um importante marco para a habitação social no Brasil, quando veremos, na sede da B3 em São Paulo, o lançamento do primeiro edital de licitação de um contrato público que viabiliza economicamente antigos anseios urbanos do país. Veremos a publicação de uma solução que agrega, entre outros benefícios: Continuar lendo Conheça a viabilização econômica do retrofit e habitação no centro

A estrutura do mercado profissional [GA]

ferrovia e as concessões de infraestrutura

Hoje continuamos o assunto dos posts anteriores sobre mercados profissionais abordando a estrutura desse tipo de mercado, a qual surge de forma singular: nem todas as pessoas valorizam da mesma forma o capital simbólico, e obter um diploma em determinado campo cultural é um objetivo vantajoso para uns, mas não para outros.

As pessoas perseguem estratégias que acreditam que lhe retornarão rendimentos mais elevados, sejam simbólicos ou econômicos. Todas as decisões a respeito de campo profissional são tomadas em função de como percebem suas chances de sucesso, assim definido o atingimento de acúmulo de capital simbólico, econômico, geração de externalidades externas positivas ou simples satisfação pessoal. Isso significa que tentamos realizar o que acreditamos ser possível, e nos excluímos das áreas nas quais acreditamos que não seremos bem-sucedidos. Ou seja, na estrutura de competição profissional, os menos favorecidos se eliminam voluntariamente, por si próprios, dos campos dominados por outros grupos. Continuar lendo A estrutura do mercado profissional [GA]

O capital simbólico no mercado profissional [GA]

Centro Cultural Gabriel García Márquez. Foto Emilene Miossi

Este texto dá continuidade aos anteriores sobre a concorrência em mercados profissionais. Hoje falaremos sobre o capital simbólico e seu papel na concorrência entre profissionais, uma vez que ele promove o poder simbólico da mesma forma que a posse de capital econômico promove o poder econômico. Da mesma forma que pessoas e grupos concorrem na arena econômica para aumentar riqueza econômica, os profissionais competem também na arena cultural para maximizar capital cultural.

Existem quatro formas básicas de capital cultural [1]:

  1. Capital cultural institucionalizado: qualificações acadêmicas, realizações educacionais, prêmios, certificações, saber coisas;
  2. Capital cultural objetivado: objetos ou bens culturais, como obras de arte ou qualquer um dos inúmeros objetos simbólicos produzidos pela sociedade;
  3. Capital cultural social: redes duráveis de pessoas às quais se pode recorrer para apoio e auxílio ao longo da vida profissional. Este tipo é particularmente útil nas áreas da vida social que não foram burocratizadas pelo Estado, nas quais as habilidades formalmente certificadas valem menos que as habilidades sociais;
  4. Capital cultural corporificado: a forma mais sutil e que torna a noção de capital cultural tão importante, este tipo não depende de nenhum dos três tipos anteriores: a posse de capital cultural simplesmente pelo fato de a pessoa ser culta, um capital que existe no íntimo das pessoas sob a forma de atitudes, gostos, preferências e comportamentos. Este tipo de capital se manifesta na forma como falamos, nos vestimos, o que gostamos de ler, esportes que praticamos, que carro temos, quais passatempos preferimos, ou seja, todas as inúmeras possibilidades em que gosto atitudes se manifestam. Práticas aparentemente triviais e naturais são poderosas manifestações de capital cultural corporificado;

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