O valor intrínseco de uma empresa ou empreendimento está associado à sua capacidade de geração de caixa futuro, isso é fato e já repetimos aqui muitas vezes. Daí vem o método de avaliação pelo fluxo de caixa descontado (FCD). Porém, o resultado de caixa não traduz adequadamente o resultado que está sendo gerado, uma vez que muitas vendas são feitas a prazo, podem existir estoques e outros ativos realizáveis a longo prazo (ARLP). Ou seja, o fluxo de caixa não é a melhor ferramenta para medir a rentabilidade do empreendimento em operação.
A ferramenta adequada para isso é o retorno sobre o investimento (ROI), a qual mede de forma o quanto está sendo obtido de retorno em relação ao investimento total feito, ou seja, incluindo os investimentos realizados por acionistas e credores somados. Este investimento total feito é de simples identificação, trata-se do ativo total do empreendimento (incluindo o investimento em capital de giro) – as análises do ativo são também conhecidas como análises de decisões de investimento.
Faltou apenas encontrar a medida de retorno, e para isso não podemos utilizar o lucro líquido, pois este número se refere apenas ao retorno do acionista, ou seja, o retorno sobre o patrimônio líquido ou equity. O retorno do empreendimento como um todo não é tão óbvio nos demonstrativos contábeis como são tradicionalmente apresentados no Brasil, mas também não é difícil de se obter: trata-se do retorno operacional líquido (NOPAT). Explicarei abaixo como obtê-lo.
O primeiro passo é localizar o resultado antes dos juros e tributos (EBIT) no fluxo de caixa do acionista (FCFE). Não se preocupe por estar partindo do fluxo de caixa do acionista, os elementos que o diferem do fluxo do empreendimento não serão considerados no cálculo do NOPAT.
Fluxo de caixa do acionista (FCFE)
Receita líquida (deduzidos descontos e tributos sobre a venda)
(–) Custos
(–) Despesas
(–) Depreciação e amortização
(=) LAJIR=EBIT (lucro antes dos Juros e dos Tributos) *
(–) Juros *
(=) LAIR=EBT (Lucro antes dos Tributos)
(–) Provisão tributária sobre a renda (IRPJ+CSLL)
(=) Lucro Líquido *
(+) Depreciação
(–) CAPEX
(–/+) Variação da necessidade de capital de giro (NCG)
(+) Entrada de novos financiamentos de longo prazo (NFLP) *
(=) Fluxo de Caixa do Acionista = FCFE
Deste montante (EBIT) deve ser subtraída a provisão tributária, de forma a evidenciar a capacidade que o empreendimento possui de gerar resultados líquidos de tributos:
(=) LAJIR ou EBIT
(-) Provisão tributária
(=) Lucro operacional líquido (NOPAT)
E pronto. Agora já podemos calcular o ROI:
ROI = NOPAT / Ativo total
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