O vírus vai, a marca fica

Certamente estaremos todos, num futuro próximo, respirando aliviados com uma solução para a atual crise. Os doentes serão curados e os saudáveis sairão de casa – mas isso não significa que tudo volta a ser como antes.

Testemunhamos hoje um evento de gravidade e proporção muito grandes para que seja ignorado pelo curso da história. Se o bater de asas de uma borboleta pode criar uma tempestade, algo como o novo coronavírus tem, sem dúvida, o poder de induzir mudanças globais neste pequeno planeta.

Quando sairmos de casa, daqui a semanas ou meses, poderemos ver com maior clareza, pela primeira vez, a real dimensão do estrago que foi feito. E corremos um sério risco de fecharmos demais as portas. Ainda que todos estejamos vacinados e imunes, a cicatriz do impacto social ficou. Imagine, daqui a um ano, a notícia de uma nova gripe surgindo em que parte for. Como o mundo reagirá? Não me parece adequado buscar culpados, e tenho para mim que culpar os chineses pela situação atual seria mais ou menos como culpar os argentinos pela próxima frente fria.

Há, na minha modesta opinião, razão em quem fala que estamos no fim do mundo, pois o mundo em que vivemos até 2019 não existe mais. Nos perguntaremos no futuro: “onde você estava em 2020?”, da mesma forma que a geração de nossos pais sabe exatamente onde estava em 22 de novembro de 1963, e a de nossos avós, em agosto de 1945. Não dá mais para imaginar que não estejamos em nenhum tipo de divisor de águas nos caminhos da humanidade. Pela frente, temos ainda uma página em branco, ainda que com muitos direcionamentos. Vamos preenchê-la com responsabilidade.

Fiquem bem.

Ricardo Trevisan, 21/03/2020

9 comentários em “O vírus vai, a marca fica

  1. A humanidade só pode melhorar seu curso por amor ou por temor. Ainda não aprendemos a amar, a ver o outro, como tão merecedor como nós próprios, enfim quando o mal atinge a todos, podemos redescobrir a solidariedade…e novas formas de pensar, mudanças de paradigmas, e como você disse “fim de um mundo” e “início de outro”. Só nos resta aprender. Disse Freud: Se não amamos, adoecemos!
    Parabéns Ricardo

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  2. Hoje, 24/03/2020, ficamos sabendo que as Olimpíadas 2020 serão adiadas em um ano. A última vez que os Jogos Olímpicos não ocorreram no ano previsto (a cada 4 anos), foi na Segunda Guerra Mundial.

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  3. Semanas atrás li um artigo interessante com relação ao coronavirus.

    No Japão quando ha algum desastre natural como terremotos ou tufões, geralmente uma parte da população vai se abrigar em escolas ou ginásios (elas são construidas com uma estrutura reforçada exatamente para esse fim). Apesar do desconforto e falta de privacidade, elas funcionaram relativamente bem ate agora.

    Mas agora devido a pandemia, elas se tornaram um problema. Uma pessoa infectada nesse ambiente se tornaria uma ameaça mortal, pois os abrigados estão com a saúde física, mental e emocional debilitadas.

    Um dos grandes desafios daqui pra frente, no que se refere a arquitetura, sera projetar espaços que, quando necessário, permitam mudanças temporárias pra diminuir o risco de contaminação (mudança de layout, uso de sensores e fiscais em locais pre-determinadas, uso de materiais que facilitem a limpeza e higienização…)

    O que vc acha?
    Abraços

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    1. Jorge,

      Interessante essa visão. De fato, já sabemos que a flexibilidade é necessária, não é de hoje. Estamos passando por um cenário que não será esquecido tão fácil, então imagino que esses requisitos que você elenca serão onipresentes nas encomendas.

      Algumas semanas atrás recebi um material que mostrava as possibilidades de tecnologia de smart cities para questões similares: medição de temperatura, contagem de pessoas, distanciamento, liberação de acesso para emergências, etc. Imagine se já estivéssemos assim equipados, estes espaços que você descreve teriam um tipo de controle que ainda é difícil de imaginar com clareza. Mas a tendência está clara.

      Abraços,

      RT

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