Os problemas selvagens

Wicked problems

Eles são mais comuns do que muita gente imagina, e é muito provável que você esteja lidando com pelo menos um deles agora mesmo. Um “problema selvagem” (que não é exatamente a melhor tradução do original wicked problem) é aquele que não se apresenta por completo quando você precisa já dar uma resposta, uma primeira proposta de solução. A cada tentativa de solução, o problema se desenha um pouco melhor, e assim sucessivamente, até chegar a um nível satisfatório de aderência (ou ao fim de recursos e de tempo).

Qualquer atividade laboral que lida com grandes indefinições também lida, por consequência, com problemas selvagens. E quando lidamos com este tipo de desafio, não conseguimos planejar de forma linear o o processo de desenvolvimento de uma solução. Se faz necessário entender que obrigatoriamente estabelecemos uma espécie de diálogo com o problema. Portanto, o planejamento deste tipo de trabalho demanda outro prisma de observação – o qual Barros e Sakurai (2016) chamaram de enfoque reflexivo em oposição ao tradicional enfoque racional. [1] Continuar lendo Os problemas selvagens

Canvas como gerador de modelos de negócios [GA]

Alex Osterwalder e Yves Pigneur desenvolveram um método ágil, conciso e visual para a construção de modelos de negócios, chamado canvas. Obviamente suas características indicam boa aplicabilidade, ou pelo menos facilidade metodológica de aplicação. O canvas está apoiado na construção (lado esquerdo) e entrega (lado direito) de valor ao cliente. Um dos maiores benefícios trazidos pelo canvas aos escritórios de arquitetura foi justamente a construção de um modelo visual de simples compreensão demonstrando a centralidade do valor ao cliente nos modelos de negócios sustentáveis.

Ou você constrói um empreendimento em torno dos benefícios reais a serem entregues de forma viável a seus clientes, ou não sobreviverá por muito tempo. Esta colocação é bastante evidente para a administração e incrivelmente pouco conhecida em nosso campo.

A pesquisa com sócios de escritórios de arquitetura de São Paulo identificou muitos centrados em aspectos internos, como a vontade de fazer bem feito, a necessidade de se estruturar bem, de ter boas equipes, de ter bons parceiros, alguns raros entrevistados preocupados em identificar os clientes, pouca preocupação com canais e mais rara ainda preocupação com a construção de valor. Continuar lendo Canvas como gerador de modelos de negócios [GA]

Marketing na arquitetura [GA]

Um dos aspectos que mais causaram perplexidade em nossa pesquisa com arquitetos titulares de escritórios de São Paulo foi a recorrente afirmação, proferida com orgulho, de que “o meu escritório não faz marketing”, ou que “nunca precisei fazer marketing”.

Causa perplexidade e tristeza ver que continuamos com este nível de ignorância institucionalizada por todo o setor: quando se pesquisa a necessidade do cliente para estabelecer um programa de necessidades, está fazendo marketing; quando desenvolve um produto (edificação, objeto, cidade etc.) pensando em maximizar benefícios ao cliente ou usuários, está fazendo marketing; quando constrói o preço da proposta comercial, está fazendo marketing; quando gerencia caminhos para que o cliente atinja seus objetivos com maior facilidade, está fazendo marketing. E então, só porque não fez comunicação ativa para conquistar mais clientes ou contratos, acredita que o escritório não faz marketing. Infelizmente, isso só comprova que não fazem a menor ideia do que o termo marketing significa. Continuar lendo Marketing na arquitetura [GA]

O que é conflito de agência? [GA]

Preços e economia de arquitetura e urbanismo

O conflito de agência surge sempre que existe uma pessoa ou organização agindo em nome de outra. O primeiro (agente) tem seus próprios objetivos, interesses e agendas que podem estar em algum tipo de conflito com objetivos, interesses e agendas de quem o delegou (principal). Nesta relação, arquitetos e escritórios de arquitetura se posicionam nos dois polos, dependendo do momento.

O cliente contrata outra pessoa ou organização para a prestação de serviços técnicos em arquitetura e urbanismo por não ter conhecimento, recursos ou interesse para fazê-lo por conta própria. Transforma a empresa de arquitetura em seu agente, confiando que seus interesses serão adequadamente tratados, e aqui começa uma zona nebulosa ao arquiteto contratado em alguns aspectos. Continuar lendo O que é conflito de agência? [GA]

O que é tradeoff? [GA]

tradeoff

A tomada de decisões pelo gestor nunca é uma tarefa simples. Frente a duas possibilidades de conduta, nem sempre estará claro qual delas promoverá mais benefício. Cada possibilidade de conduta terá suas condições específicas, diferentes probabilidades de sucesso, diferentes potenciais de geração de resultados, diferentes interdependências com outras condutas, e assim por diante.

Assim como o processo projetual, a gestão de um empreendimento também não é linear nem mapeável. O gestor trabalha quase o tempo todo tomando decisões em cenários de incerteza ou de escuridão absoluta. A cada decisão tomada em que outra possibilidade precisa ser descartada, existe o chamado tradeoff: é uma espécie de custo de oportunidade de uma escolha, o que você deixa de ter por ter optado pela hipótese alternativa. A vida é cheia de tradeoffs: quando você compra alguma coisa e deixa de comprar outra, quando escolhe uma faculdade em detrimento de outra, quando opta por uma carreira em detrimento de inúmeras outras, quando viaja para um destino e deixa de ir para outro, quando casa com alguém, quando sai de casa, quando fica em casa… Não deveria causar nenhum espanto que o mesmo ocorra na gestão de um empreendimento.

Ao enfrentar um problema envolvendo tradeoffs, dois aspectos principais devem ser considerados:

  1. Qual é o objetivo a ser atingido, qual escolha parece nos aproximar mais dele?
  2. Qual será o consumo de recursos (materiais, financeiros, tempo etc.) da escolha? Qual escolha tem melhor relação entre avanços em direção ao objetivo frente ao seu custo total?

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