Seria ótimo se o design (projeto) da empresa definisse um modelo correto e duradouro – e muitos gestores acreditam estar fazendo isso exatamente agora. Mas as organizações são sistemas dinâmicos, com seus próprios ciclos de vida. O máximo que o desenho da estrutura (ou da estratégia) consegue é uma solução que pode ou não ser ideal, mas que tende a ser o melhor possível para o momento.
Isso não significa necessariamente que a empresa esteja sob ameaça. Como ocorre na natureza, ameaças costumam advir de fatores externos, tais como mudanças no ambiente ou na forma de predadores, e podem ser cataclísmicas ou sutis. Por consequência, a literatura contemporânea sobre o design organizacional é uníssona: “desenhe a empresa sabendo que o desenho não vai durar”. Não é uma frase derrotista, é uma recomendação realista.
Pois bem, se o design organizacional é dinâmico, possui um ciclo de vida, e vai mudar assim que o contexto demandar, vale a pena comunicar bem essa natureza a todas as partes interessadas, principalmente aos empregados e demais colaboradores, de forma a reduzir a incidência de acusações de erros de planejamento e obter maior apoio ao desenho implantado.
O bom design organizacional não deve ser entendido como a implantação de uma decisão pontual gerada por um evento, mas permitir mudanças contínuas ao mesmo tempo em que mantém os negócios operando com segurança. É um processo iterativo, e nos melhores exemplos estão em modo de design continuado, ou seja, trabalham a partir da consciência dessa instabilidade natural da organização.
Em tais casos, os times responsáveis pelo design organizacional seguem quatro princípios básicos:
- Colaboram de forma a alinhar interesses e compartilhar entendimentos sobre o contexto, o ambiente de negócios, e o que está em processo de mudança no cenário;
- Equilibram interesses em competição e prioridades à organização como um todo;
- Mantêm atenção ao sistema completo, de forma a reconhecer riscos e oportunidades assim que aparecem, e a desenvolver a capacidade de identificar circunstâncias transformadoras;
- Buscam incansavelmente por feedback de um amplo espectro de fontes e usam essa informação para evoluir.
Como afirmou certa vez Peter Drucker, a mudança é algo aceito como inevitável, mas ainda visto como algo a ser adiado o máximo possível, assim como fazemos com a morte ou com os impostos. Essa visão tende a concluir que nenhuma mudança seria desejável. Porém, numa época como a que estamos vivendo, a mudança é a regra, não a exceção.
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