Erro comum nas grandes empresas tem sido entender o BIM como uma evolução tecnológica que provoca a necessidade de ajustes nos processos e procedimentos atuais. BIM não é um software. BIM não é um padrão adicional. Os softwares autorais BIM para projetos de arquitetura e engenharia já existem há décadas – e são os mesmos de hoje. Não é essa a revolução que estamos vivendo hoje em relação ao BIM, mas a migração em massa de nossos processos e nossa forma de trabalhar para o mundo digital.
Projetos são conjuntos de informações e dados estruturados. No atual contexto de interconectividade entre bancos de dados e maior exigência de rigor quanto à gestão da informação, o ambiente de negócios do setor está sendo transformado em seu nível estratégico, e não no operacional. As informações geradas e compartilhadas agora precisam seguir certos padrões mínimos para que tenham valor no contexto de trabalho colaborativo e interconectividade.
Assim, as normas técnicas nacionais e internacionais do BIM interferem em profundidade não apenas na forma como os profissionais trabalham, mas também na forma como as organizações se planejam, se estruturam, executam, monitoram, controlam, entregam e aferem todo o processo ao final.
Por este motivo, erra a empresa que enxerga o BIM como elemento técnico e a atual revolução como uma questão de ajuste de processos. Não existe ajuste de processos porque os processos anteriores não fazem sentido no atual contexto digital. É impossível ajustar uma forma de trabalhar em CAD para outra que prepara um gêmeo digital. A forma de vender um serviço, executar e entregar ao cliente precisa observar novos padrões de expectativas.
E erra mais ainda a empresa que afasta a implementação BIM de seus níveis estratégicos e de inovação, porque agora o BIM faz parte de um conjunto de exigências em três níveis:
- Estratégico (Gestão da Organização, NBR ISO 9001);
- Gerencial (Gestão do Projeto e do Empreendimento gerado, NBR ISO 55000 e NBR ISO 21500);
- Tático (Gestão da Informação dos processos operacionais, NBR ISO 19650)

Se a gestão do BIM ficar afastada da alta gestão da organização, a empresa se colocará em perigosa posição de desvantagem competitiva por dificultar a fluência imediata e confiável de informações que o ambiente digital integrado exige. E, infelizmente, parece que nossas organizações ainda não entenderam isso, e estão remendando processos antiquados com a introdução de softwares autorais sem a necessária atenção ao que realmente importa agora: o tratamento, a gestão e a forma segura e confiável de disponibilizar a informação.

Resultado: nossas organizações estão trabalhando de forma extremamente ineficiente: 96% das informações geradas simplesmente não são usadas por ninguém! [1] E isso tende a piorar se os processos BIM não foram implementados com consciência e visão gerencial do que essas três letras realmente significam.
A empresa que não entender como o mundo trabalha agora, estará fora da rede global de exigências mínimas e certamente terá muita dificuldade em competir nessa novo ambiente de negócios. Muitas já estão sentindo os sintomas sem desconfiar que a causa está na leitura incorreta do que significa “adotar o BIM”.
Quando as primeiras exigências padronizadas chegarem, será tarde demais, e o ponto de não retorno já terá passado. A empresa estará definitivamente eliminada do mercado.
Saiba mais:
[1] Conforme informado pela Zigurat em 09/04/2025.

