Potencial de recuperação energética em aterros sanitários brasileiros

Extrair energia dos resíduos sólidos (lixo) pode parecer uma idealização ainda distante de nossa realidade nacional sobre a questão. Não é mais assim, e já há um bom tempo. Por exemplo, a biomassa da cana-de-açúcar já responde por 10% de geração de energia elétrica no Brasil, país este que possui o maior potencial de biogás do mundo.

A recuperação energética de resíduos sólidos, também conhecida pelo anglicismo Waste-to-Energy (WtE), tem um enorme potencial em nosso país. O aproveitamento do biometano capturado em aterros sanitários é limpo e eficiente, além de eliminar da atmosfera gases que chegam a ser mais de 30 vezes mais poluentes que o gás carbônico, sendo este último o principal elemento responsável pelas mudanças climáticas no planeta.

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Uma das ações mais adotadas pelos municípios e estados brasileiros, a coleta seletiva de recicláveis secos, tem um limite potencial. Para se ter uma ideia, a Alemanha, país-exemplo de alto grau de eficiência neste quesito, recicla atualmente algo em torno de 32% de seus resíduos. A União Europeia, em média, recicla entre 20% e 25% de seus resíduos sólidos. No Brasil, este número ainda não chega a 4%.

Há quem alegue que os resíduos sólidos, no Brasil, possuem características que impeçam seu melhor aproveitamento para as mais diversas finalidades. Isso não é bem verdade. É fato que resíduos sólidos que contenham mais de 70% de orgânicos deixam de ser incineráveis (o que, em si, é também uma solução questionável por inúmeros fatores ambientais e sociais).

Porém, nossos resíduos sólidos domiciliares (RSD ou RDO) possuem características muito similares às da China, uma cultura que, assim como a nossa, também não tem por hábito a utilização de trituradores de pia. Ou seja, jogam orgânicos no lixo. Mesmo assim, o teor médio de umidade é de 50%. Ainda assim, a China já alcança níveis de aproveitamento energético de resíduos muito superiores aos nossos, corroborando o potencial de recuperação energética que afirmei, acima, haver.

O município de Mauá, na Região Metropolitana da Grande São Paulo, já trabalha com biodigestão e geração de energia elétrica, usando, para isso, tecnologia alemã.

Os aterros sanitários também possuem potencial de geração de combustível derivado de resíduos (CDR). Além de dar melhor destinação ao lixo do que simplesmente enterrá-lo e jogar este passivo ambiental para as gerações futuras, O CDR é muito utilizado nos altos-fornos de cimenteiras, e costuma ser viável para aterros sanitários localizados a distâncias de até 150 km de uma indústria cimenteira. Isso acontece porque o peso específico do CDR é relativamente baixo, reduzindo os custos de frete.

Existe uma escala mínima de aterro sanitário que costuma viabilizar a recuperação energética, um patamar que normalmente se situa a partir de 600 toneladas por dia. Até esse patamar, seria necessária outra solução, como, por exemplo, o tratamento mecânico-biológico (TMB) de orgânicos.

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