Por que escritório de arquitetura e design (ainda) não é uma startup?

Eu evito usar termos em outras línguas sempre que posso, mas neste caso é inevitável porque “startup” ainda não tem uma tradução completa e suficiente em português. Este termo se refere a empresas com três características básicas (segundo Eric Ries):

  • Inovadora
  • Criada do e para o ambiente de extrema incerteza
  • Escalável
  • Vejamos agora se as empresas (ou escritórios, ou ateliê) de arquitetura, urbanismo ou design se enquadram nesta categoria.
  • A essência destas atividades é o desenvolvimento da inovação em seus produtos, sejam estes cidades, edifícios, objetos ou marcas. Seria muito difícil argumentar contra este ponto, e nem tentarei. Ponto para nós.

    Segundo item: nossas atividades profissionais são e sempre foram familiares com a extrema incerteza. Brian Lawson, um dos autores que mais profundamente exploraram o tema, demonstra com uma grande série de fatos que o problema sempre chega incompleto ao projetista, e este precisa começar a explorar possíveis soluções para que o desafio se mostre mais completamente, num movimento pendular de trabalho conjunto entre problemas e soluções até a obtenção de um resultado satisfatório. Esta característica deu origem ao movimento design thinking de gestão empresarial (voltaremos a falar mais sobre isto por aqui no futuro). Temos facilidade e familiaridade com ambiguidades e complexidades. Outro ponto para nós no mundo VUCA.

    O item que nos falta é a escalabilidade. Somos naturalmente limitados à capacidade operacional individual quando vendemos nossos serviços de forma vinculada à marca individual de uma ou poucas pessoas. Isso ocorre na arquitetura autoral, por exemplo. Os trabalhos científicos sobre estratégia sempre apontam para a limitação de capacidade de recursos especializados, e isso pode nos colocar no mesmo grupo dos consultores, advogados, médicos, e chefs de cozinha, por exemplo.

    O importante é perceber que isto não gera uma condenação absoluta, e alguns colegas já estão trabalhando em novos modelos de negócios que desvinculam a vantagem competitiva de pessoas físicas. Vários deles com sucesso, diga-se de passagem. São aplicativos, conceitos inovadores de negócios, posicionamentos diferentes e apoio a outros negócios.

    Estas empresas, em algumas situações estão expostas à possibilidade de ganhar escala de negócios, e isto as coloca num grupo diferente de empresas de design: o grupo das startups. São modelos de negócios diferentes dos conceitos tradicionais apresentados pelos cursos de graduação convencionais (se é que algum foge deste modelo). Adentrando a este novo mundo, conhecem novas dificuldades, como a necessidade de proteger suas marcas de novos entrantes, de escalar estrutura e comunicação com o mercado, de construir padrões e procedimentos, entre inúmeros novos desafios. Mas este já é um novo patamar, e por mais desafiador que seja, já está numa dimensão diferente do formato convencional de se fazer negócios na área.

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