47.598,07

Você já sabe: compre ao som dos canhões, venda ao dos violinos. E o Ibovespa chegou ao fundo de um abismo (e pode cair mais ainda quando a tia Janet Yellen acender o pavio).

Não acredita que é hora de comprar? Acha que sou louco? Então anote esse número aí em cima: o Ibovespa no momento em que escrevo. Se você não tiver ganhos reais em dois anos, pode me dar uma bronca pública aqui neste blog.

(Mas esta é só minha opinião. Se você tiver perdas, não tenho nada com isso. Afinal, se acredito na fezinha da mega sena, porque não me resguardar do Apocalipse?)

 

 

Atualização de 13 de janeiro de 2016

Se 47 mil pontos era barato, o que dizer de 40 mil? Não vai ser logo, talvez só depois da gestão Dilma acabar.

Mas que vai subir, vai.

O preço dos imóveis vai cair?

Ainda não ouvi falar de alguém que esteja adiando a compra de um carro na esperança de ver seu preço diminuir. E isso não vai ocorrer tão cedo por motivos óbvios: há um grande contingente de consumidores que continuarão a comprar automóveis no atual patamar de preços, há crédito facilitado, e não há por que acreditar que as montadoras reduziriam suas margens por aqui. Mas quando o produto em questão é um imóvel, há uma certa esperança de uma repentina e acentuada queda de preços, e há quem diga que esteja “esperando”. A crença vem de um histórico recente de altas inéditas nos preços imobiliários, que muita gente sonha em ver desfeita. O único fenômeno que poderia explicar a sonhada queda de preços seria o estouro de uma bolha imobiliária. Mas, para isso, precisaria haver uma. E há muitas evidências de que não estamos, pelo menos por enquanto, numa bolha. Continuar lendo O preço dos imóveis vai cair?

Como escolher um terreno para construir

por Ricardo Trevisan, arquiteto

1. Certifique-se de que o loteamento está aprovado na prefeitura e possui licenciamento ambiental. Caso haja algum problema com sua legalização será bem mais difícil aprovar um projeto e realizar supressão de vegetação, caso seja necessário. Este tipo de informação costuma ser fornecida pela prefeitura.

2. Verifique se o lote não faz parte de nenhum litígio judicial. Qualquer bom advogado sabe como realizar este tipo de pesquisa, que não costuma ser cara nem demorar muito.

3. Verifique a matrícula do lote no Cartório de Registro de Imóveis para saber se ele realmente existe legalmente. Veja se não há hipoteca em aberto. Verifique suas dimensões, se batem com as apresentadas pelo corretor / vendedor. O loteador deve entregar o loteamento piqueteado, ou seja, com marcos de suas divisas e identificação do terreno. Verifique, ainda na matrícula, se o terreno mudou muito de dono em pouco tempo. Se ele estiver passando de mão em mão de forma muito rápida, pode ser que haja algum problema.

4. Verifique se há nascentes, córregos ou outros corpos d’água no terreno ou próximo a suas divisas. A legislação ambiental exige que a construção fique a uma certa distância (chamada de recuo) de corpos d’água, cuja medida depende de suas características físicas.

5. Verifique se os vizinhos não invadiram as divisas do terreno. Levar uma trena para visitar o terreno é uma ótima idéia. Verifique também se nenhum vizinho abriu janela nas divisas do lote. Segundo o Código Civil, se algum vizinho abre janelas nas divisas, você tem apenas um ano para reclamar (inacreditável, não é? Mas se ainda duvida, consulte a lei).

6. Verifique onde está o norte. Evite terrenos com caimento para o sul. Terrenos em declive induzem o projeto a abrir janelas no sentido do caimento, e a face sul é a pior insolação para o hemisfério sul (pega um pouco de sol só no verão e nenhum sol no inverno).

7. Caso o formato do terreno seja diferente do habitual (os habituais são: retangular, paralelogramo, trapézio, etc.), consulte um arquiteto ou engenheiro civil para saber se a área útil do terreno não está sendo prejudicada por seu desenho.

8. Não se esqueça que a maioria das prefeituras exige recuo frontal (distância entre o alinhamento e a construção) grande. Portanto, veja se a frente do terreno não é muito grande a ponto de prejudicar o projeto da construção.

9. Procure descobrir com moradores antigos dos arredores se o terreno já foi utilizado para depósitos de entulho ou lixo. Se foi, ele pode estar contaminado e oferecer risco à saúde.

10. Verifique se a área está numa baixada plana. Se estiver, pode ser local de inundação em época de chuvas. Evite também terrenos muito acidentados ou inclinados, pois será mais caro construir nele. O terreno ideal é levemente inclinado.

11. Evite terrenos com muitas pedras ou muito arenoso se você quiser mexer na terra (escavar, por exemplo).

12.  Verifique se há favelas nas redondezas. Verifique também se há grandes área públicas sem uso (áreas vazias). São essas áreas que viram favelas. Procure consultar na prefeitura o programa habitacional do município para saber se há projetos de assentamentos humanos nestes terrenos. Este tipo de intervenção costuma desvalorizar o terreno (não estou dizendo se isto é certo ou errado, só o que acontece na realidade do mercado).

13. Evite topos de morros. Além de serem mais propícios a descargas elétricas, também são protegidos pela legislação ambiental.

14. Verifique na prefeitura quantos pavimentos podem ser construídos, quais usos podem ser instalados ali, qual o índice de aproveitamento e a taxa de ocupação do lote. Verifique também se o loteador não impôs alguma restrição desse tipo em seu contrato.

Leia também: Atenção às tendências urbanas