Marketing de cidades: preocupação que um prefeito deveria ter

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

A palavra marketing costuma provocar reações alérgicas nas pessoas que lidam com urbanismo, em geral profissionais humanistas como arquitetos e urbanistas, sociólogos, geógrafos, historiadores (ainda há poquíssimos administradores públicos). Esses profissionais são educados longe de qualquer ensino formal sobre o marketing, e em geral possuem um sólido conhecimento histórico da luta de classes e dos movimentos de esquerda no mundo. O desconhecimento do que é marketing leva a adotar a definição do senso comum (que invariavelmente é manca), a uma visão muito limitada do marketing e associação à ideia de ferramenta comercial e de vendas.

Mas se o marketing for entendido (como deveria) conforme suas definições mais precisas, e devidamente compreendido no contexto atual de visão global de responsabilidade e sustentabilidade, pode surgir (e já está surgindo) um movimento no sentido de justificar a aplicação de ferramentas do marketing por causas historicamente avessas, como o poder público municipal. Não sei se isso realmente trará benefícios sociais (objetivo, em tese, do poder público), nem sei se a argumentação apresentada é realmente válida. Mas vai acontecer.

Marketing é uma palavra que nunca foi traduzida corretamente, por isso ficou assim em nossa língua antropofágica. As palavras terminadas em “ing” em inglês, possuem diversos sufixos em português. Quando foi traduzida por “mercadologia” ficou errado, por que marketing não só estudo ou conhecimento do mercado. O objetivo do marketing é otimizar as relações de troca, não necessariamente trocas comerciais. Por isso existe o marketing social e o marketing Continuar lendo