
Bilal Succar definiu o BIM em 2008 como um conjunto em expansão de tecnologias, processos e políticas que permitem às partes interessadas projetar, construir e operar qualquer tipo de edificação ou construção virtual de maneira colaborativa.
O modelo em BIM possui três elementos fundamentais:
1. Modelo geométrico, contendo as informações gráficas.
2. Especificações técnicas e referências, constituídas por informações não gráficas;
3. Documentação associada, por ser baseado em um banco de dados. Tais documentos externos podem ser de qualquer natureza, portanto permitem anexar alvarás, ART, RRT, memoriais com assinaturas públicas, diretrizes oficiais, matrículas de imóveis etc.
Por contraste, podemos também identificar o que não se classifica como BIM:
- Modelos tridimensionais sem informações não-geométricas (mas se for BIM, obrigatoriamente será tridimensional);
- Soluções 2D que emulam o 3D;
- Soluções tridimensionais sem elementos paramétricos e que não estabelecem qualquer relação com outros elementos do mesmo modelo;
- Soluções que não permitem atualização automática, como os sistemas que exigiam comandos de refresh, por exemplo.
- BIM não é apenas um arquivo, um banco de dados, nem um simples repositório de documentos (intranet ou extranet).
- Software ou solução 3D que não atuem como gestores de dados.
O assunto tem ganhado muita relevância em nosso campo porque atuamos em um setor econômico de alta complexidade, submetido a ampla regulamentação, permeado por culturas de informalidades, imprecisões, erros e desperdícios. Assim, o setor de AEC como um todo convive com uma realidade de processos de construção pouco transparentes, estruturas de contratos pouco alinhadas com objetivos do cliente, e exigências personalizadas ou não otimizadas por parte dos contratantes.
Os processos tradicionais de desenvolvimento de projetos são inadequados para transformar esta realidade, ainda utilizamos mal as ferramentas de gerenciamento de projetos, a mão de obra qualificada é escassa enquanto abunda oferta de pessoal de baixo nível de capacitação, e ainda persiste a cultura de baixos investimentos em inovação e transformação digital.
Por outro lado, a adoção de ferramentas e soluções atualizadas conseguem ganhos expressivos de qualidade e de produtividade. A implantação de soluções completas de integração da informação de ponta a ponta, do início do estudo de viabilidade à previsão de destinação do ativo construído é capaz de produzir ganhos de produtividade entre 50% e 60%, além de reduzir o conjunto prazo-custos em até 70%. E tudo isso quando são mantidas as tecnologias construtivas atuais.
Muito mais que uma tecnologia inovadora, estamos aqui falando de uma revolução em processos e políticas para entregas ao cliente. Continuaremos a tratar do assunto.
[GA] : esta marca sinaliza texto sobre Gestão Arquitetônica.
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