O (ainda mais) inevitável BIM [GA]

A Graphisoft, proprietária do Archicad, realizou seu maior evento digital nos últimos dias 14 e 15 de junho: o Building Together 2023. Logo na abertura, o CEO Huw Roberts já contextualizou o momento histórico atual com uma leitura de iminência de forte aceleração na assimilação global do BIM. É esperado que os próximos anos sejam fortemente marcados pelo aguçamento da revolução de processos no setor de AEC.

Segundo Huw Roberts, a maioria dos projetos gera hoje aproximadamente 20% de perdas de material de construção. E esta observação se refere a uma realidade global, incluindo países centrais com sistemas construtivos mais racionalizados e industrializados que os nossos. Aproximadamente, 30% dos trabalhos de desenvolvimento de projetos se destinam a reconstruções necessárias em função de erros de execução. Orçamentos e prazos estrapolam as previsões iniciais em 90% dos casos de grandes construções, e corrigir essa distorção passa por melhorias nos padrões de comunicação e de coordenação de projetos.

Outra questão cada vez mais relevante é que o setor da construção civil sozinho já representa 40% de todas as emissões de carbono na atmosfera. Este último problema parece ser transgeracional, considerando que os processos construtivos são mantidos e reproduzidos por muitos e muitos anos.

Além disso, Huw Roberts considera que estamos vivendo uma persistência de efeitos da pandemia, considerando a guerra na Europa (Ucrânia) e as instabilidades sociais globais. Nesse sentido, são destacados três fatores vigentes de alto impacto no setor de AEC:

  • Disrupções nas cadeias de suprimentos
  • Taxas inflacionárias recordistas
  • Desafios econômicos para a estabilização

Esse contexto deve perdurar pelos próximos anos, o que exige dos projetistas novos patamares de adaptação, principalmente no que se refere à colaboração, exploração de novas alternativas de tecnologias e processos, além da necessidade de entrega de valor cada vez mais rápida e completa ao cliente. A volatilidade parece ser o “novo normal”.

Por fim, é bom lembrar que as novas tecnologias construtivas requerem processos BIM. “Requerem” significa que essas tecnologias não são aplicáveis sem este salto, partindo do projetista e incluindo seu custeio de vida útil até o final do ciclo de vida.

Mais uma vez, os sinais são claros e indicam a tendência à substituição rápida de processos e políticas setoriais num futuro próximo. Confundir a adoção do BIM como mera evolução tecnológica pode ser fatal aos escritórios de arquitetura que hesitarem em dar este salto na janela temporal correta.

Recomendo a todos assistir aos vídeos do evento. O link está no logo do evento, logo acima.

[GA] : esta marca sinaliza texto sobre Gestão Arquitetônica

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