Construção sem movimento de terra

Se você está pensando em construir, deixo aqui uma dica valiosa que pode trazer uma significativa economia para a sua obra: invista num bom projeto que aproveite a topografia do terreno de forma inteligente. Com certeza você já ouviu isso, eu sei, mas estou repetindo mais uma vez porque tenho visto que poucos proprietários seguem a dica. O resultado é que acabam gastando muito mais que o necessário.

O sintoma de um projeto mal-elaborado aparece logo no início da obra: se você observar bem, vai perceber que a regra é fazer movimentos de terra de volumes desproporcionais em residências unifamiliares. Não é raro ver máquinas de terraplenagem típicas de obras grandes, como abertura de rodovias, fazendo malabarismos épicos em obras relativamente pequenas – observe que estou falando de obras pequenas para os padrões da construção civil, ainda que a casa seja grande. Isso é algo incompreensível e incompatível com a necessidade do cliente em 99% dos casos.

Além de gastar mais e alongar o cronograma da obra, o pandêmico excesso de terraplenagem em obras também traz consequências ambientais:

  1. Retira mais vegetação do terreno que o necessário, muitas vezes perdendo belas espécies vegetais que só trariam ganhos se fossem preservadas.
  2. A retirada da capa superficial de vegetação expõe o solo inferior, que costuma ser mais frágil, aumentando riscos de erosão. Além disso, há liberação de muito material particulado fino que piora as condições de assoreamento de corpos d’água.

Muitas obras poderiam ser resolvidas de uma forma bastante simples, que produz zero movimento de terra, traz economias substanciais ao orçamento, e pode antecipar o cronograma em até um mês em obras pequenas. Isso tudo sem falar nos benefícios ambientais de não se alterar a topografia natural do terreno.

Estou falando do que nós, arquitetos e engenheiros, chamamos de construção sobrelevada do solo. O conceito é simples: basta executar só as fundações (um movimento de terra muito pequeno em quase todos os casos) e apoiar nelas uma primeira estrutura de base. Pronto, é só isso. Feita essa estrutura de base, você executa a obra em cima dela.

O acabamento dessa base pode ser aberto (pilotis) ou fechado (caixão perdido). Ambas as opções podem ter resultados espetaculares. Converse com seu arquiteto sobre o seu caso para saber qual seria mais adequado ao seu terreno.

Espero ter ajudado você a economizar em sua obra, além de ter a possibilidade de ocupar o novo imóvel mais rapidamente. Fique à vontade para comentar abaixo, se desejar. Deixo aqui também alguns exemplos.

Boa sorte!

Pilotis parcial. Eduardo Pozella. Gonçalves (MG). Arquiteta Cristina André.
Exemplo de sobrelevada sobre caixão perdido – Casa Cerrado (DF). Arq. Ricardo Trevisan
Execução de casa sobrelevada com preservação de mata nativa – Casa Cerrado (DF). Fotografia tirada com apenas 37 dias de obra. Arq. Ricardo Trevisan

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