Oceano vermelho da Arquitetura e Urbanismo

Quais dessas atividades podem, legalmente, ser realizadas por arquitetos e urbanistas?

  • Projeto e execução de estrutura de concreto armado, sem limite de área construída
  • Estudo de viabilidade econômico-financeira
  • Projeto de luminotecnia (iluminação)
  • Projeto de cabeamento estruturado, automação e lógica
  • Plano de saneamento básico ambiental
  • Plano de gerenciamento de resíduos sólidos – PGRS

Na verdade, todas estas atividades, entre inúmeras outras, fazem parte das atribuições profissionais do arquiteto e urbanista, conforme Lei Federal 12.378/2010 e Resolução CAU/BR 21/2012.

Uma leitura atenta dessa lista, assim como da Resolução CAU/BR 51 e complementares, nos leva invariavelmente a uma série de questionamentos. Um deles, que mais me provoca em especial é: por que ainda nos concentramos tanto em poucas atividades tradicionais e emblemáticas da profissão? Por que só um pequeno número de escritórios de arquitetura exploram atividades laterais e de apoio com alto potencial de retorno (e colhem esses benefícios)?

Uma possível reação é observar o que ocorre com outras profissões. Será que só nós fazemos isso? Me parece que não. Mas uma idiossincrasia nossa, não posso me furtar de colocar: temos dificuldade em migrar para atividades menos populares e tradicionais, ou mesmo menos emblemáticas da profissão. E não vejo tanta resistência nesse sentido em outras profissões, mesmo nas mais próximas à nossa. Vejo outros profissionais em outras áreas com mais disposição em batalhar novos mercados, oferecendo valor (ou curvas de valor) mais atraentes a potenciais consumidores que o mainstream da profissão não aborda. E, com isso, navegam tranquilos em oceanos azuis.

Não vou aqui discutir a sociologia profissional da Arquitetura e Urbanismo (se você tiver interesse, recomendo ler O círculo privilegiado, de Garry Stevens). Quero apenas chamar a atenção para o fato de existirem muitos oceanos azuis esperando por nós, oferecendo retornos superiores à média de nosso mercado (o retorno econômico stricto sensu).

Alguns colegas já estão por lá, e se dando muito bem, por sinal. Agora precisamos levar esta luz a maiores contingentes de colegas, e tratar urgentemente das dificuldades que profissionais completos e competentes enfrentam de simplesmente sobreviver. O simples fato disso acontecer é uma péssima distorção e indica que algo está faltando no ferramental profissional. Espero poder contribuir de alguma forma neste sentido, e tenho feito isso há uma década neste blog. Pretendo fazer muito mais, e se você leu este texto até aqui, também está contribuindo.

Voltaremos ao assunto. Muitas vezes ainda.

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