Retorno não é proporcional ao risco. Sinto muito.


Este não é um post sobre Cisnes Negros, mas o caso abaixo é perfeito para ilustrar a ideia. Diz a lenda que um professor apresentou a seus alunos a seguinte sequência:

2 – 4 – 8

Há uma regra para a sequência de números que os alunos deveriam descobrir. Para isso, fariam proposições de outras sequências que testassem a regra e poderiam arriscar qual seria ela após cada resposta.
A grande questão aqui é: quantas perguntas seriam necessárias?
Invariavelmente (segundo relatos) o número de perguntas é muito maior que o estimado inicialmente. Deixemos a Gestalt de lado, sem esquecer da tara humana por padrões (entre outras).
A ferramenta que desenvolvemos para resolver problemas simples do dia a dia e tomar decisões rápidas, do tipo “tomo água?”, “atravesso a rua?” são totalmente empíricas, pouco conscientes e baseada em experiências pessoais prévias. É tão portátil e prática que utilizamos o máximo possível, e costumamos cometer o erro de usá-las para decisões mais importantes também. Foram carinhosamente batizadas de heurísticas, provavelmente para que ninguém se lembre desse nome depois de dez minutos.
O grande problema é enfrentar um problema de alta complexidade com uma chave de fenda tão simples. Daí costumam sair conclusões equivocadas. Uma delas é a percepção de que o retorno é proporcional ao risco. O engano vem da informação disponível (e da heurística da disponibilidade), pois a maior parte das aplicações financeiras de varejo mais populares situa-se mais ou menos dentro da mesma lógica de risco e retorno.
A linha teórica (Linha de Mercado de Capitais) que representa uma carteira hipotética composta por um ativo de risco zero (em geral, o CDI) e uma proxy de mercado (em geral, o Ibovespa) é o balizador mais comum para a decisão do investidor racional. O que pouco se percebe é que existem ativos muito abaixo (vide OGX) ou muito acima dessa linha. Aqueles muito abaixo acabam desaparecendo por motivos óbvios. Aqueles muito acima, se assim permanecem por mais tempo, podem não vir a serem oferecidos ao varejo pelo alto grau de atratividade que oferecem e baixo custo de captação para outros mercados. A concentração ao redor dessa linha é ilusória.

P.S.: a regra da sequência é que cada número seja maior que o anterior.

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